Comecei a vasculhar o guarda-roupa,
jogando tudo para o alto. Peguei a roupa, joguei na cama, peguei o tênis que
estava jogado, desliguei o notebook, arranquei meu pijama rápido e me vesti,
coloquei o celular no bolso e desci as escadas o mais rápido que eu pude.
- Aonde você vai? – Não parei de
correr. – Lua! Lua!
- Vou ali.
- Era para você está dormindo!
- Você também mãe!
- Mas já são cinco horas!
- Mais um motivo para eu correr.
- Lu...
- Anna, deixa ela.
Fechei a porta e continuei correndo, cheguei à
frente da casa do Bieber, fui abrindo a porta devagar e conforme fui chegando
mais perto da cozinha, pude ver o Justin no jardim no mesmo lugar em que ele me
pediu em namoro. O lugar era mal iluminado, tinha umas luzes meio amareladas,
mas dava para vê-lo perfeitamente. Fui chegando mais perto, ele estava
concentrado no violão, tocando uma melodia vazia, sem letra, que eu não
conhecia.
- Achei que não viria mais – ele
sorriu ao me ver. Fiz o mesmo.
- Nunca deixaria você na mão.
- Nunca diga nunca meu amor – ele se
levantou e eu cheguei mais perto.
- Simples força do habito – o beijei –
cadê Caitlin e Chris?
- Mal chegou e já esta perguntando
pelo Chris? Poxa! Só não magoou por que a surpresa por você ter perguntado pela
Caitlin foi maior – ri. – Os dois foram dormir. Chris chegou, deitou na cama e
já era, já a Caitlin, acho que ela não iria querer ficar acordada por mais
tempo, não depois de hoje – nos sentamos.
- O que você estava tocando?
- Nada, algo aleatório, nada de
importante.
- Então toca algo de importante, algo
que para mim é muito importante.
- Ok.
Ele começou a tocar a primeira música
denominada de “One Time” – se bem recordo –, é a que eu mais gosto, na verdade,
gosto da outra também – afinal as duas foram para mim – mas quando ele fala:
“Seu mundo é seu mundo, minha luta é a sua luta”, “Meu único amor, Minha única
vida” me encanto, isso me hipnotiza completamente. “Deixe-me dizer uma vez,
garota eu amo, garota eu amo você”. Coloquei meu celular para gravar, e assim
que a canção acabou, coloquei como toque do celular. Ele riu disso, mas era o
que eu queria ouvir, para sempre lembrar dele, não importa onde eu estivesse.
Ficamos rindo e tocando algumas melodias, tudo
super alto, com um grande risco de acordar as pessoas que no instante dormiam
naquela casa, mas sem se importar com isso. Depois nos acertamos para ver o sol
nascer, ele me aninhou nos braços e assim ficamos, depois no beijamos, coisa
bem clichê, mas é lindo, eu considero, apesar de não ser a primeira vez é como
se fosse, dessa vez não estávamos como bêbados, jogados em um parque público
com mais quatro adolescentes com a mesma aparência, estávamos a sós e sem
nenhuma loucura.
- Minha mãe deve acordar daqui a
pouco.
- E daí? A minha deve estar se
perguntando ainda porque saí de casa às cinco da manhã.
- Ela estava acordada?
- Esperando eu chegar.
- E deixou você sair?
- Na verdade foi meu pai.
- Mas... – ele me olhou confuso. Ri.
- Meu pai chegava tarde, e hoje no
inicio da madrugada eu encontrei ele em casa, nós conversamos e tudo mais,
quando você me mandou a mensagem ele estava lá no meu quarto – ele abriu a boca
para falar – mas não viu.
- Ufa!
- Ih! Por acaso Justin Bieber está com
medo de Philip Houston?
- Acho que sim, um pouco – ele fez uma
cara estranha, eu tive que ri – olha, você pediu para eu cantar, mas há muito
tempo eu não vejo a senhorita cantar.
- Eu? Mas, mas, nem canto tão bem
assim.
- Não adianta fugir Lua.
- Ta bom – revirei os olhos.
Peguei o violão e comecei a tocar uma música
que ele não conhecia, tenho certeza, mal eu sabia, era difícil cantar uma outra
língua que eu não tive muito tempo para aprender.
Na
hora em que me aproximei em frente ao mar, você estava ali
Naquela
noite foi a primeira vez que te vi
Veio
a intenção, já nem quero resistir
Reduziu
a pó meu passado na hora em que o destino te entregou pra mim
Eu
te quis do princípio, meio e fim
Tudo
foi completo com você por perto
E
me perco quando não estás aqui
Se
te vejo ao meu lado é inevitável um final feliz
Em
você encontrei tudo que eu sempre quis
Vem
depressa se entregar
Quem
vai te fazer sorrir
Eu
não vou mais suportar tanta falta que me fez sentir
E
nossa noite nunca tem fim
Meu português era embolado e ele com
certeza não entendia uma só palavra do que eu dizia.
Ainda
tenho a mensagem que você me mandou
Eu
li a noite inteira
E
o beijo que você me roubou
Naquela
praia, ali na areia
Agora
é tarde, mas se você quiser fugir de carro eu vou pra qualquer lugar
E
a química entre nós dois começou a fluir
Vai
ser do jeito que eu sempre quis
Nosso “romance” não teve nada de praia
– pelo menos não até agora – mas a letra parecia um pouco com o que eu havia e
ainda sinto.
Sem
promessa e sem errar
Melhor
deixar se permitir
Pra
aonde for vou te alcançar
Quando
o luar te refletir
E
nossa noite nunca tem fim.
Realmente, nunca tem fim, essa seria a
segunda noite que viramos juntos.
- Entendi nada do que você cantou – ri.
- É eu imaginei.
- Traduza para mim, por favor.
- A musica fala de amor, não sei dizer
bem, a música está aqui para isso, o nome dela é “Sempre Quis” é de uma banda
brasileira chamada Strike e não sei, fala do amor que alguém tem por outra
pessoa, e que essa outra pessoa é tudo o que o “cantor” sempre quis e sonhou.
- Gostei da música – sorriu.
- É, eu também! – ri.
- Mas aonde você aprendeu a falar
português?
- É que em um verão fui ao Brasil,
passei uma semana no Rio de Janeiro, e umas duas semanas em um lugar chamado, Santa
Catarina, o nome era Florianópolis eu acho.
- E como é lá?
- Eu fui no inverno, mas o Rio é
incrivelmente quente! Já em Santa Catarina no começo era parecido aqui,
friozinho e tudo mais, só que depois ficou um calor muito intenso, não igual do
Rio, mas do tipo em que você não quer sair da praia tão cedo.
- Pelo jeito foi bom né?
- Foi ótimo! A família toda junta e,
ainda por cima, lá é lindo! E vou confessar uma coisa: o lugarzinho quente
aquele país! – Riu.
- Oi Lua! – Olhei para porta, era a
Sra. Pattie, ela estava com um sorriso lindo na cara, ela estava linda como
sempre fora. – Já está aqui? Aposto que nem dormiu e o Justin te arrastou para
cá.
- Bom dia Sra. Pattie – ri. – É foi
mais ou menos isso.
- Está tão cedo, aposto que comeu
nada.
- Agora que a senhora falou nisso, é
estou com um pouquinho de fome sim, a última coisa que comi foi às onze da
noite.
- Céus! Já passam das sete! Vou
preparar um café para vocês dois, porque aposto que o senhorio também não comeu
nada – ele sorriu sem graça e eu ri. – Sabia! Assim que estiver pronto chamo
vocês.
- Ok! – Dissemos em coro.
- Que bom, você está se dando bem com
a sogrinha, continue assim! – Ri.
- Quero ver você se dar bem com a
sogrinha e o sogrinho.
- Seus pais já me amam!
- Ok convencido, minha mãe sim, quero
só ver meu pai. Ele ficou meio “desconfiado” quando disse que você tinha 15.
- Tenho 16, fiz em março.
- Ops. Dei a data errada para ele –
corei, tenho certeza, senti uma enorme vergonha e ele riu ainda, dei um tampa
no ombro dele, mas não adiantou muito, só ri também.
- Corrija a data e talvez ele não
fique “desconfiado”.
- Aí ele te mata, lembra que eu ainda
tenho 15? Faço 16 no inicio do verão besta.
- Besta? Poxa magoa – ele fez um
biquinho super fofo que beijei rápido, foi mais um selinho. – Um selinho? Você
me chama de besta e me da um selinho? Sem chance!
Ele deu um sorrisinho de canto de boca, e um olhar meio perverso, fiquei
com “medo”, confesso, sempre tinha medo quando ele dava esse sorrisinho de
canto de boca.
O violão há tempos não estava no colo dele o
que facilitou muito para ele agarrar a minha cintura e me beijar. O beijo era
forte, intenso, vamos dizer que intenso demais para estar no jardim interno com
a mãe na cozinha e a ex no andar de cima.
Ele foi se deitando e me levando junto, não
conseguia resisti e ele sabia muito bem disso, porém, não era hora nem lugar.
- Justin! Justin! Para! Lembre-se que
estamos no jardim da sua casa e sua mãe está na cozinha.
- E eu estou aqui! Sou muito novo para
ver essas coisas! – Chris apareceu na porta, olhei para ele e tive que ri. Ele
estava com as mãos nos olhos como se quisesse tampar a visão, mas tinha dois
dedos separados dando perfeita visão para aquilo.
- Para de show Chris! – Saí de cima do
Justin que se levantou sentando-se ao meu lado. Olhei para ele e ri demais,
afinal ele estava bem vermelho de vergonha.
Chris veio até a gente e se sentou, ou melhor,
pulou entre nós dois.
- Agora entendi porque Caitlin subiu
batendo o pé e batendo a porta.
- Ah! Valeu, não poderia ser mais
perfeito! Caitlin viu tudo! Ou melhor – sorri, ela quer mais confusão! Tenho
certeza! Mas é melhor ela resolver isso com o Justin, não comigo, é uma dica
que ela não vai seguir.
- O que você tem nessa cabecinha? – Justin
perguntou, eu apenas sorri sarcástica.
- Tenho medo dessa cara dela? É para
ter medo Justin?
- Sim, é Chris – os dois me olhavam
assustados.
- O que foi?
- Você com essa cara aí de dá medo!
Cara de fantasma má! – Ri do Chris.
- Calma gente, vou matar ninguém não,
mas eu preciso ir – levantei e corri até que chegasse a porta do jardim.
- Mas já? – Os dois levantaram num
pulo e o Chris fez uma cara “triste”.
- Desculpa Chris, mas daqui a pouco
volto! – Mandei beijo e fui andando até a porta, mas quando eu iria virar a
maçaneta, alguém veio falar comigo, como eu imaginava.
- Já vai? Achei que iria ficar e fazer
seu papel de vadia – ui! Isso vai ser um pouco “quente” pena que é tão cedo,
bom, pena para ela, de manhã já sou bem irritável e respondona, sem dormir
ainda.
- Mas meu amor, eu não sou você!
- Mas não era eu quem estava agindo
como vadia no jardim com todos em casa.
- Nem eu! – Sorri.
- Não foi o que me pareceu, não foi
isso que eu vi.
- Pois viu errado meu amor, não sou
você.
- Você não sabe nada sobre a minha
vida.
- Nem você sobre a minha.
- Sei que você é uma vadia e que não é
uma boa influência para o Justin.
- Somos duas então, afinal vadias se
entendem muito bem, ou não, pois eu não sou da sua laia – sorria vitoriosa,
coisa que ela não fazia, afinal nesse jogo só havia um vencedor.
- Você vai se arrepender muito por
isso.
- Não sei como.
- Que tal seu amiguinho Luka?
- Pode o considerar carta fora do
baralho – sorri, era 2x1 para mim.
- Meninas, o café está na mesa.
- Tudo bem Sra.Pattie – respondi.
Sorri mais uma vez para a Caitlin e fui em direção a cozinha.
- Achei que você tinha ido embora –
sentei ao lado do Justin e lhe dei um selinho.
- Resolvi ficar.
Tomei café juntos com eles, ou melhor, tentei,
era mortal cada mordida que eu dava ou cada gole que eu tomava do meu suco de
manga, era sempre uma piada do Chris que me fazia cair na gargalhada. A comida
da Sra.Pattie estava ótima e ela sempre fazia muita comida – pelo menos quando
eu estava lá – tinha coisas variadas para escolher, sempre. Ficamos enrolando
um tempo, vendo tevê e rindo sobre as bobeiras do Chris, que resolveu cantar
“Yes I Can” de novo, quando me dei conta o sono bateu, me senti cansada, havia
virado a noite, vinte e quatro horas acordada direto, precisava dormir.
- Amores, preciso ir, agora é verdade,
preciso muito dormir.
- Mas vou sentir sua falta! Não faz
isso comigo!
- Desculpa Chris, mas preciso dormir,
urgente.
- É, acho que eu também – Justin
concordou comigo e bocejou, o que ocasionou um automático meu.
- Poxa! Vão me deixar só? Caitlin e eu?
Não me torturem assim! – Ri.
- O número do Luka, da Hayley e da
Karol está no meu celular, se você quiser.
- Não obrigado, o Luka não quer me ver
nem pintado de azul anil, por mais que eu goste da Hayley, é confusão se é que
me entendem e não to a fim de segurar vela entre o Nat e a Karol – rimos.
- Desculpa, mas preciso ir, que tal
sairmos à noite? – Sugeri.
- Para onde? – Chris perguntou.
- Isso daí é com o Justin, morrendo de
sono, o raciocínio está lento – eles riram.
- Ta, eu penso em algo, mas não
garanto nada agora, meu cérebro esta em off há algumas horas – ri. Eu adorava
isso, Chris e Justin, eles conseguiam me fazer sorrir não importa como, quando
ou o porque.
- Agora eu vou mesmo, até a noite.
Saí de lá correndo, ou melhor, tentando
correr, eu estava mais cambaleando do que correndo para dizer a verdade, quando
disse que estava com sono não era brincadeira ou exagero.
Assim que entrei em casa, a minha vontade era
de me jogar ali mesmo, no sofá, mas resolvi fazer um esforço a mais, subir as
escadas até o meu quarto.
- A onde você estava menina?
- Na casa do Justin como disse.
- Não, você não disse que iria à casa
do Justin.
- Não? – Ela negou. – Desculpa,
esqueci então.
- Era para você está dormindo.
- E você também – ela não respondeu –
e cadê o papai? Já foi trabalhar?
- Não, ele está dormindo, virou a
noite por causa de alguém.
- Coisa que você também fez. Por que
não foi dormir?
- Estava te esperando, e sabe, as
cosias aqui não andam se eu não as fizer.
- Ok! Que tal eu te ajudar aqui, nós
almoçarmos em família e quando o papai sair para trabalhar, nós duas irmos
direto para a cama?
- Ué? Lua é você mesmo? Ou foi
abduzida?
- Que foi? Só estou tentando ser boa
filha. Não quer me ajuda não? Então tchau – comecei a subir as escadas, com um
esforço enorme, e nem passei do primeiro degrau.
- Ok, Ok, desculpa, aceito sua ajuda –
voltei à cozinha.
- Mas olha, só um aviso, estou
cambaleando de sono, então não exija muito de mim – ela riu, mas concordou.
Ajudei a minha mãe a preparar o almoço, na
verdade não foi quase nada, ela também estava com muito sono, havia virado a
noite por minha causa. Quando meu pai acordou, nós colocamos a mesa, e
almoçamos, na verdade eu não comi quase nada, o sono bloqueava qualquer coisa
referente à fome.
Terminei o almoço, também ajudei a lavar a
louça – serviço completo – desejei bom dia ao meu pai e – tentei – subir as escadas,
no mesmo movimento que abri a porta, a fechei, só empurrei ela me focando na
cama, bom, deitei, dormi.
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Ui, que grande! Ok, Ok... eu já to achando chato ficar postando tão frequente... o que tão achando?
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