Saímos do cinema e eu larguei a mão do
Justin, sem dizer nada, e puxei o Chris de forma que ele largasse a mão da
Hayley. Fomos para um canto onde ninguém pudesse nos ver e até mesmo nos ouvir.
- Que foi Lua?
- Sua irmã quer acabar comigo né? Por que
ela não para com isso?
- Minha irmã tem isso, quando ela quer
algo, bate o pé até conseguir. Não é por nada não, nem queria te dizer, mas
enquanto tivermos aqui ela vai encher até ter o que quer, ou até irmos embora.
- Que legal! Muito bom! E pelo jeito
já começou.
- Como assim?
- Não tem o Luka?
- O que está com Caitlin? – Assenti. –
Sim, o que tem ele?
- Ele está fazendo isso para fazer
ciúmes na Hayley.
- Na Halle? – Ele gritou surpreso.
- Shi! Fala baixo!
- Desculpa.
- Olha, há muito tempo que ele gosta
dela, só que os dois vivem se pegando, brigando e discutindo para lá e para cá.
Ele nunca falou com ela e ela nunca quis assumir que gosta dele, porém, pela
primeira vez, ele deu uma crise de ciúmes, por sua causa e agora, está com
raiva de mim achando que te ajudei de alguma forma.
- Mas você não fez nada.
- Eu sei! Agora convence ele! Cansei de
dizer e explicar, mas parece que ele acredita mais na sua irmãzinha, do que na
melhor amiga.
- E o que você quer que eu faça?
- Não sei Chris, não, sei.
- Não é melhor falar com a Hayley?
- E eu iria dizer o que? “Halle, Luka
gosta de você e está com ciúmes de você com o Chris, então acabou ficando com
raiva de mim achando que ajudei vocês” isso? – e ele fez uma cara como se
estivesse pensando.
- É.
- Não Christian! Não pode! – Ele me
olhou preocupado.
- O que está acontecendo aqui? – Justin
chegou atrás de mim, me virei para vê-lo.
- Oi meu amor – o abracei e ele
devolveu o abraço, era o que eu precisava, nos braços dele eu me sentia segura,
era como se nada mais importasse.
- O que foi minha pequena?
- Minha pequena? – Olhei para ele
confusa.
- Exagerei?
- Na verdade foi fofo, mas foi
estranho – ele sorriu.
- Dá para parar de melação vocês dois?
– Ri.
- Desculpa Chris – falamos em coro.
- Ok! Agora conta para ele Lua.
- Contar o que? – Me perguntou
confuso.
- Luka está “contaminado” pela sua
ex-namoradinha.
- Hã?
- Ele está fazendo aquilo para fazer
ciúmes na Hayley e está com raiva de mim, por achar que ajudei Chris e ela,
tudo isso por influência da Caitlin.
- Ela não faria isso por nada – ele
encarou o Chris
- Nem olha para mim, a única coisa que
eu fiz foi pegar a paixãozinha do Luka – ele levantou os braços como se
estivesse se rendendo fazendo com que ríssemos.
- Ela quer acabar comigo Jus, se não
for me tirando de você, é acabando com os meus amigos.
- E depois ela quer que eu volte com
ela, nosso namoro acabou por causa dessa impossibilidade dela, por causa dessa
pirraça e do convencimento.
- Olha a criança que você se livrou! –
Eles riram.
- Sou mais você – ele sorriu e eu
devolvi o sorriso.
- Agora se vocês não se importarem, é
melhor irmos já são bem mais de meia noite.
- Ok Chris! – Disse.
Saímos dali e nos juntamos com o resto, Karol
ia começar a perguntar o que aconteceu, mas a interrompi. Fomos andando para
casa nos divertindo, apesar do “probleminha” com o Luka. Chris ficou para trás com
a Hayley, eles conversaram deram um selinho, nada mais, depois continuaram
conversando e tudo mais, mas sem estar de mãos dadas, às vezes ela – por ser
mais alta – passava a mão entorno da nuca dele, às vezes ele passava o braço na
cintura dela, mas nada demais, parecia como nós sempre fizemos com Luka,
pareciam só... amigos.
Cada um seguiu o seu caminho, Nat foi com a
Karolyne em casa, deixamos Luka e Hayley irem sozinhos e juntos para casa –
ninguém mandou eles morarem perto – e fomos para casa direto, dei boa noite
para Chris e para Justin, e fui para casa.
Abri a porta devagar, estava com sono e
deveria passar das uma da manhã.
- Pai? – Parei no meio da sala o
encarando, há tempo não via meu pai.
- Lua que horas são essa de chegar?
Achei que iria ao cinema! – Minha mãe veio toda desesperada.
- Estava. Assistimos às duas últimas
sessões, por isso – não parava de encarar meu pai.
- Mas isso não são horas e...
- Mãe! Mãe! Para ok? Não vem dá uma de
preocupada, já não basta no dia da festa.
- Phil! Você não fala nada?
- Ih mãe! – Revirei os olhos. – Vou
subir para o meu quarto, agora só amanhã. Beijos.
Subi as escadas sem pressa, à diferença é que
dessa vez eram quase duas da madrugada e não da tarde, eu não estava com uma sandália
de salto na mão, mas o sono e o cansaço eram um tanto quanto parecidos.
- Phil! Você não vai falar nada! Olha
como sua está filha! Isso é porque você...
- Mãe! – agachei na escada deixando
ela ver a minha cabeça. – Não coloque a culpa no papai, apesar da ausência, não
é culpa dele os seus erros.
- Meus? – Ela me olhou confusa.
- Sim! Não é culpa dele que você não
consegue ser uma boa mãe.
Terminei de subir as escadas, entrei no meu
quarto, tirei toda a minha roupa rápido e coloquei o pijama – a minha sorte era
que dentro da minha casa é realmente quente – me enrolei na colcha e liguei o
notebook. Fiquei olhando as minhas contas, lembrando da época onde eu, não era
bem... eu.
Tive vontade de excluir todos os meus fakes e
deixar somente o blog, que era onde eu sempre coloquei meus pensamentos, onde
eu podia ser eu sem ser eu – se é que me entende – e isso era bom, porque era
movimentado, só porque não sabiam que a “escritora” era... eu!
Olhei as horas, eram quase três da manhã, há
uns instantes tinha ouvido minha mãe gritar algo como “Isso tudo é por sua
causa! Nem sabe que sua filha namora! Você fica ausente o tempo inteiro! Por
isso ela está assim! Por isso!”. A minha mãe não entende mesmo, eu sempre fui
assim com quem devo ser, com ela não devo ser tão respondona e ignorante,
afinal ela é minha mãe, mas, ela nunca se importou de fato comigo e agora vem
fazendo esse papo de “preocupadinha”? Não acredito nisso, para mim é mais,
showzinho.
Meu pai não respondeu, era a primeira vez que
eu ouvi – ou quase – meus pais “brigarem”. Deram uma batida de leve da porta e
a abriram devagar, vi um cabelo castanho, um pouco grisalho, olhos claros, pele
meio branca...
- Posso entrar?
- Claro, sente-se pai – ele entrou,
fechou a porta e se sentou no pé da cama.
- O que houve?
- Onde?
- Aqui.
- Hã? – Ele riu.
- O que está acontecendo aqui nesta
casa minha filha? Qual foi desse seu comportamento? Você não é assim.
- Pai, a mamãe nunca se importou
muito, você sabe, sempre foi “ignore”, “deixa para lá”, “isso não é importante”,
“grande coisa” – tentei imitar a voz dela.
- Eu sei, mas mesmo assim ela é sua
mãe – acho que ele falou com o Justin afinal foi o mesmo que ele disse para mim
– e tem que respeitá-la, você não a tratava assim antes.
- É, eu sei, mas você sabe como eu sou,
melhor até mesmo do que ela. Nem tudo o que vejo e o que é errado eu engulo,
esse “showzinho” da mamãe... eu não aguento para sempre.
- Você acha que isso é “showzinho”? –
Ele fez as aspas com os dedos. – Ela não pode se preocupar com você de verdade?
- Pode, mas acho que é meio tarde para
isso.
- Meio tarde para uma mãe se preocupar
com a filha?
- Meio tarde para ele mostrar preocupação
comigo, sendo que agora está tudo bem, sendo que, ela nunca se preocupou.
- Talvez ela não achasse que era
necessário antes, só agora.
- Antes não era necessário? – Estava
incrédula, coloquei meu notebook do meu lado, e me inclinei para frente
desencostando da cabeceira. – Pai! Antes, justamente quando a Louise acabou com
a minha vida social, me humilhou na frente da escola toda e ela só me dizia:
“Ignora”, “isso vai passar”, “ignore”, “ignore”, “ignore”! Não era necessário?
Agora que eu estou bem, feliz com meus amigos, estou com o Justin ao meu lado
sempre, me apoiando e tudo mais, ela vem querer estar preocupada comigo?
- Pela sua carinha não é só isso né?
- É sim pai.
- Não, não é. Eu te conheço muito bem
esqueceu? – Me encostei na cabeceira e desviei o olhar. – Ei, olha aqui para
mim – ele fez com que eu o olhasse –, pode me falar – respirei fundo.
- Os professores estão em um curso,
então ficaremos duas semanas sem aula e isso serve para a maioria das escolas
da província de Toronto e uma das é a escola onde Justin estudava.
- E daí?
- E daí que lá também estudava a ex-namorada
dele e ela mais o irmão vieram para cá visitar o Justin.
- É isso o problema? Ela mais o irmão
estão te trazendo problemas isso?
- Não! O Chris é muito legal, ele é
bobo, me faz ri sempre, realmente é um bom amigo para o Justin e agora para mim
também.
- Então o que foi? Ciúmes dela?
- Não pai!
- Conta logo! Já são mais de três e
meia da manhã – ri.
- Ela é uma criança, está com raiva
porque estou namorando o Justin agora – por mais estranho que pareça, eu me
sentia à vontade de falar com o meu pai sobre essas coisas –, ela fica tendo
ataque de ciúmes, não me importo com ela, é serio! – Ele me olhou como se não
acreditasse. – É verdade!
- Já que você diz.
- Ah! Para pai!
- Brincadeira, eu acredito, agora
continue.
- No cinema, a gente brigou, eu disse
que ela não iria tirar o Justin de mim não importa o que fizesse, bom, ela
ficou com raiva, saiu no cinema batendo o pé, o Luka foi atrás dela e ela fez a
cabeça dele o virando contra mim. Agora Luka está com raiva de mim, achando que
eu ajudei o irmão dela, Chris, a ficar com a Hayley. PS: o Luka gosta da
Hayley.
- E por isso você está assim?
- E não era para estar? Pai, Luka é
meu amigo antes mesmo de você começar a dar a alma para aquilo que você chama
de trabalho e olha que isso tem uns bons anos.
- Minha filha, me desculpa pela minha
ausência, mas é melhor para nós, faço isso por você e pela sua mãe.
- Eu sei pai, mas você fica dia e
noite lá, pensa há quanto tempo a gente não tem um conversa? Tenho que esperar às
quatro da matina para falar contigo?
- Minha filha, me desculpa, não queria
que fosse assim, mas prometo que isso vai mudar, tudo depende de você.
- Como assim pai?
- Na hora certa eu te conto, agora não
é hora.
- É, literalmente – olhei no relógio
do notebook, eram quatro da manhã. Ele riu.
- É melhor você ir dormir, me parece
cansada.
- E estou, muito.
- Então, boa noite minha princesa.
- Princesa? Pai, tenho 16 anos!
- 15.
- Faço 16 nas férias, considero 16!
- Mas você tem 15 – revirei os olhos –
e o Justin têm quantos?
- 16 – ele me olhou – Ok, ele faz 16 no
final do ano.
- Duas crianças!
- Pai!
- O que foi?
- Sabia que maturidade não tem muito
haver com a idade?
- O que você quer dizer com isso lady?
- Quero dizer que pessoas às vezes até
mais velha do que eu não “sabem” namorar, como gente até mais nova, pode ser
mais “adultas” do que os próprios adultos. Ser maduro, não tem nada haver com
ter 13,14,15 ou 16, 20,30,40 ou 50. A idade física nem sempre tem haver com a
idade mental, é aí que entra a maturidade.
- Uau, falou bonito agora. Acho que
esse Justin está realmente te fazendo bem.
- Isso é fato, mas você sabe muito bem
que...
- Você sempre foi assim, é, sei. Não
deixo de ler seu blog por mais longe que estou.
- Uau, você lendo meu blog? Nunca
imaginei – riu.
- Você é do tipo, garota madura, tem
responsabilidades e sabe respeitá-las, tem outro modo de ver a vida, de ver as
coisas e consegue expressar isso nas palavras às vezes. Me salvei bastante e
por diversas vezes tive bons momentos para “pensar” depois que lia o que você
falava de amor, amizade ou simplesmente coisas sobre a vida.
- Isso é novidade, meu pai tirando
influência do meu blog. Interessante.
- É o jeito de estar perto de você e
de encarar isso tudo, vendo como você cresce mentalmente, já que não posso
estar contigo sempre – sorri, meu pai era o melhor! Eu o amava, ele sempre me
fazia sentir bem. – Agora vá dormir que já vai dar cinco horas.
- Cinco horas e você acha que eu vou
dormir? Faz me rir!
- Você por mais que seja madura, tem
só 15.
- 16.
- Ok, 16 anos, precisa dormir do mesmo
jeito.
Olhei para o notebook que ainda estava do meu
lado, aproveitei que meu pai estava em pé na frente da porta e olhei a nova
mensagem.
“Acordada ainda? Acho que somos dois! Bom, o
sol está preste a nascer, que tal vê-lo novamente como no último final de
semana? Te espero aqui em casa, no jardim intero.
Te
amo, JB”
- Não dessa vez – fechei o notebook e
dei um pulo da cama. Meu pai ficou me encarando. – Que foi? Preciso me trocar,
dá licença?
- Aonde você vai a essa hora da manhã
mocinha?
- Aproveitar meus 15 anos, antes que
eu faça 16 – sorri. – Xoxo! Sai! Tenho que me arrumar – o empurrei porta a
fora.
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To sem mesmo o que falar... Ah, amanhã também tem post ok? Domingo também vai ter... Só não garanto as horas, vou tentar postar lá pelas oito mais ou menos, mas não posso dizer ao certo.
Ok... bezus e até amanhã
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