Pov's Houston
Ótimo!
Parabéns Lua, duas vezes ainda, uma por ter conseguido magoar o Justin de novo,
não contando que vai se mudar, segunda vez, pelo seu aniversario, que agora,
por ter deixado a mãe dele contar e não você, é bem provável que ele não vá.
Era tudo que eu queria. Meus pais concordam em ir após o meu aniversário, para
eu poder ter uma última alguma coisa com os meus amigos, e nesse “alguma coisa”
quem eu mais gostaria que estivesse não vai estar, meu último dia em Stratford,
talvez, para sempre e Justin está bravo comigo, ou seja, ele não vai estar ali,
simplesmente porque eu estraguei tudo!
A casa do Luka não precisou ser muito decorada
e os ameacei de morte caso colocassem algo como “Feliz aniversário” ou “Boa
viagem” quem sabe os dois? Tanto faz! Antes de ir, mataria os três, então, não
teve muita decoração. O andar de baixo é amplo, dando um bom espaço para o DJ –
Jimmy era o nome do garoto, nunca falei com ele na minha vida apesar de
estudarmos na mesma escola, mas achei legal ele ter se colocado a disposição
para DJ, também, ele tem cara de quem gosta de uma festa, seja lá qual e de
quem for – e para as danças, mais os comes e bebes – que era consideravelmente
exagerado.
Lá
estava eu, no meio de varias pessoas, todas que eu ao menos vi uma vez na vida
– ou seja, a escola inteira praticamente –, vários abraços e alguns presentes,
com um vestido curto vermelho que se eu não usa-se minha mãe me proibiria de
vir na minha própria festa e com o cabelo de novo liso, logo agora que eu
estava feliz dele estar “normal”.
- E
esse cabelo que vai e vem? – Karol tentava falar mais alto do que a musica, era
“3” da Britney Spears.
-
Era a condição da minha mãe! – eu gritava, sentia que mais um pouco e a minha
voz iria falhar.
-
Condição de que?
- Ou
eu iria alisar ele de novo ou teria que vir de salto – ela olhou para os meus
pés e começou a ri.
Geral estava dançado e quando falo geral, eu
realmente quero dizer todos presentes, menos eu. Não estava tão animada assim,
quem eu queria que estivesse não estava, então aproveitei para pensar no porque
das pessoas que nunca falaram comigo – ou vice e versa – vieram me abraçar e
algumas ainda disseram que iriam sentir minha falta. Quebrei o narizinho da
princesinha, certo, fiz o que todo mundo queria, mas ninguém teve coragem de
fazer, certo também, mas mal me conhecem, como iriam sentir a minha falta?
- E
aí Jimmy? – subi ao palco e fiquei do lado dele observando todos dançarem.
- Oi
Lua.
-
Valeu por tocar aqui.
- De
nada. Por que você não está dançando? A festa é sua não é? Estou tão ruim
assim?
-
Nada! Você está ótimo! Eu não estou muito animada.
-
Acho que você deveria ir dançar e se divertir, e deixar o Justin de lado.
-
Ah! Por acaso alguém não sabe disso? – falei meio indignada, com um pouco de
raiva, desde quando o céu e a terra sabem sobre nós dois? Um garoto normal e
uma garota normal, por que tanta fofoca? Desde quando sabem tanto da minha
vida? Jimmy apenas riu.
-
Achei que ela não iria aparecer aqui – ele ficou olhando para uma direção.
-
Quem? – acenou com a cabeça e eu acompanhei seu olhar até saber para onde
olhava. – Ah não! – saí de perto do DJ e fui até a porta. Senti olhos me
acompanhando, mais exatamente os dos meus três melhores amigos, o resto estava
empolgado demais comendo, bebendo e dançando, para perceber a minha cara de
raiva e meus passos rápidos. – O que você está fazendo aqui? Acho que não foi
convidada.
- Só
quero falar com você – a olhei desconfiada.
-
Vem – segui para fora da casa, bem enfrente, na calçada. – O que você quer
Louise?
- Eu
não to aqui para ficar de bem com você, não mesmo, mas meus pais me falaram que
você ia se mudar e me fizeram vir aqui com essa coisa na minha cara – ela
estava com o rosto imobilizado por causa do nariz, é – para pedir desculpas e
não, eu não vou pedir.
-
Desenrola logo? Isso já esta estressante e tenho outros problemas por hoje.
- É
sobre esse outro problema – ela me corrigiu – que eu quero falar. Você não vai
estar aqui mesmo então que se dane! Justin não fez nada de errado. Eu o procurei
naquele dia, fui pedir uma coisa que não vem ao caso e eu sabia que você iria
encontrá-lo, então aproveitei e peguei o caminho mais curto do refeitório até
lá. Ele nunca, quis magoar você – cada palavra que saia parecia que doía no
fundo da alma dela, imagino como deveria ser difícil fazer isso, sou alguém
orgulhosa, mas ela é pior do que eu.
- Já
acabou?
-
Já.
-
Então, adeus Louise.
-
Adeus e... – ela olhou para trás de mim, me virei.
-
Achei que você não viria – minha voz de áspera se tornou doce, senti meu rosto
formigar, fiquei com vergonha do que fiz e mal também por ele estar sério.
-
Quero...
-
Não termine, a última vez que ouvi isso, ou melhor, li, não foi um bom
resultado – olhei para a Louise atrás de mim e depois o olhei de volta. – Vamos
lá para dentro – fomos caminhando em direção a casa, mal dei dois passos e me
direcionei a Louise – e você ainda não está convidada – foi gentil da parte
dela vir e me contar a verdade, desfez um belo nó na minha mente, mas ainda sim
é tarde demais. Ela se fez de amiga por muito tempo, fez a minha vida um
inferno, por mais que eu tenha a perdoado pelo que fez, afinal, agora não
adianta voltar mais atrás, eu não iria convidá-la para entrar e duvido ela que
iria estragar a reputação entrando lá com o rosto todo imobilizado, mas custa
nada garantir e deixar bem claro.
Voltei a andar em direção a casa, Justin já me
esperava na porta quase. Entrei e ele veio logo atrás de mim. Todos os meus
amigos me viram indo para a escada junto com o Justin, fiz um sinal que iria
subir, Luka assentiu e lá fomos nós dois. Agora eu tenho certeza que tinha mais
do que os três pares de olhos me olhando. Fomos até o quarto do Luka, fechei a
porta abafando completamente o som do andar de baixo.
-
Achei que não viria depois de ontem.
-
Assim parece que não queria me ver aqui – ficamos frente a frente.
-
Pelo contrario, queria muito. Mas pelo tempo, já tinha desistido de ter
esperanças que você viria – silêncio.
-
Lua, eu pensei muito, muito mesmo e realmente fiquei muito zangado por você não
ter me falado que iria se mudar, mas, ficamos muito tempo longe e você já vai
amanhã, acho que eu não me perdoaria se não viesse. Quero aproveitar cada
segundo que eu possa te ter ao meu lado. Garota, eu te amo como jamais amei
ninguém e digo isso do fundo do meu coração e alma, não suportaria ao menos a
ideia, de você ir, e até mesmo nossos corações estiverem separados. Prefiro que
você o leve para Manhattan amanhã, do que o ter sangrando aqui comigo por ter
deixado você ir assim – eu queria dizer muitas coisas, mas não achava a palavra
certa, sentimentos e mais sentimentos passavam por cada centímetro do meu corpo
e as palavras que seria bom, não vinham. Eu apenas o olhava nos olhos e apesar
do silêncio, tive a impressão que entendeu o que se passava em mim.
-
Que bom que você veio – foi o que consegui dizer e fora isso só um sorrisinho escapou.
Queria dizer mais! Milhões de coisas! Mas nenhuma palavra que eu conhecia
expressava o quanto eu estava feliz por ele estar ali.
-
Ah! Há um tempo eu queria te dar isso, eu iria te dar antes, mas como seu
aniversário estava chegando resolvi esperar chegar – ele puxou uma caixinha
vermelha de camurça, bem fininha, do bolso, abriu e puxou uma corrente de prata
com um pingente no formato de um J.
- Um
J?
- É.
Há tempos eu to usando isso – ele puxou uma corrente do pescoço, uma bem mais
fina do que a minha, porém do mesmo tamanho e com o L na ponta – nunca tirei.
-
Mas quando dormi na sua casa você estava sem ela.
-
Ok, nem tão “nunca”. Tirei quando você olhou na minha cara e disse que não me
amava mais – ele olhou para cima, lembrando do infeliz dia.
- Eu
estava mentindo, não notou?
- É,
percebi que você hesitou, mas no momento não dei muita importância – ele me
olhou. – Acabou que as coisas se resolveram por si próprias e nós estamos aqui,
consideravelmente de bem, de novo.
- O
que me mata é esse “consideravelmente bem” – fui até ele e dei as costas,
levantando o cabelo para que ele pudesse colocar o colar e assim fez. Soltei o
cabelo e me virei para ele, olhei em seus olhos castanhos que desde sempre
fixavam toda a atenção, eu me rendia sempre que os via –, mas ainda gosto da
parte do “bem” – ele segurou meu rosto e me deu um beijo.
- Já
passamos muito tempo aqui, as pessoas lá me baixo devem estar preocupados por o
motivo da festa, ter sumido.
- Eu
não sou o motivo.
-
Mas é por você que eles estão aqui – fiz um cara de “fala sério” e ele riu. – Vem,
vamos.
-
Espera aí – ele parou de me puxar pelo braço. – Você vai se despedir de mim
amanhã, todos vão a minha casa antes de eu ir.
-
Desculpa, mas acho que eu não serei capaz de fazer isso – mais alguns segundos
de silêncio constrangedor que graças, acabaram logo. – Agora vem! – ele voltou
a me puxar pelo braço e eu fui com ele. Descemos as escadas juntos.
O som era “Sweet Dream” dessa vez e todos
insistiam em dançar.
-
Você está linda! Já disse isso? – Justin gritava.
-
Hoje não!
-
Você está linda e não está alta.
- É!
Por causa disso! – apontei para os meus pés, ele desceu os olhos até chegar nos
meus sapatos, depois disso riu.
-
Como a sua mãe deixou você sair de all star?
-
Meu cabelo foi a condição – revirei os olhos e depois ri. – Vem! Vamos dançar!
– o puxei pelo braço e o levei até o meio da pista, no exato momento começou a
tocar “DJ Got Us Falling in Love Again” do Usher. Começamos a pular e a dançar
feitos loucos! Gritávamos cantando a música, tentando ser mais alto do que o
som.
A música tinha praticamente tudo haver. É
engraçado, essa noite é mais uma em que procuramos não nos importar com o
amanhã e sempre que fizemos isso, o amanhã acaba sendo um dia não tão bom.
Amanhã vou para Nova York, mas é como se eu fosse e logo estivesse de volta,
esse fato não me importa mais, o que eu quero saber por hoje é que o garoto com
o sorriso mais lindo do mundo, com o olhar mais hipnotizador do mundo, ou
melhor, mais importante do que “do mundo”, o garoto com o meu sorriso mais
lindo, com o meu olhar mais hipnotizador, ele estava ali perto de mim. Meu
coração pulava dentro do meu peito, a cada sorriso, a cada abraço, a cada beijo
durante toda a festa. Até que foi bom, para quem antes pensava que esse iria
ser um aniversário não tão feliz.
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Thaís: Ta pelas metades aqui! Mas dá para passar um bom tempo postando sem atraso, ela é ENOOOOOOOOOOOOOOOOOOOORME. HAUSAHSUASHHASU
Nada a dizer, adeus.