- Minha filha...
- Pode para! Ou melhor, nem começa!
Fui direto para o meu quarto, minha mãe deve
ter ficado um pouco decepcionada comigo, culpa dela por não ter se acostumado
com isso ainda e porque ia querer vir falando do Justin, ia querer falar que eu
to apaixonada por ele e isso não é verdade – ou é? – e outra que, ninguém
mandou ela ficar me fiscalizando antes de entrar em casa ou será que ela acha
que eu não percebi aquela cabecinha na janela da frente?
Fechei a porta do quarto e fui tomar um banho,
tirei a roupa da escola, entrei no boxe, deixei a água cair sobre meu corpo o
relaxando, enquanto as memórias do dia passavam em minha mente com perfeição,
parecia que – infelizmente – eu estava passando por aquilo de novo, mas – enfim
– chegou a parte que acabara de acontecer, foi aí que percebi que já estava
tempo de mais no banho. Fechei o chuveiro, me enrolei na toalha e saí do
banheiro, no mesmo instante minha mãe veio me chamar para almoçar, troquei
rápido de roupa e desci. Só foi eu aparecer na cozinha que minha mãe foi
abrindo a boca.
- Mãe! Não! Por favor.
Ela fechou a boca e colocou a comida em cima
da mesa, comi com um pouco de pressa, eu sabia que minha mãe não ia segurar por
muito tempo com a boca calada. Assim que terminei coloquei meu prato na pia e
subi para o meu quarto, liguei o computador, comecei a mexer no blog e no
twitter, quando meu telefone toca.
-
Lua?
-
Justin?
-
Eu! Oi!
-
Ah! Oi, a preguiça é tão grande assim? – ele morava em frente a minha casa, tinha a necessidade de
ligar?
-
O pior é que era! – eu
ri no telefone e ele também. Me levantei e fui para janela, e como eu
imaginava, ele estava lá olhando para mim agora – Mentira minha é que eu estou arrumando algumas coisas aqui, só que está
um saco! Vem para cá me ajudar?
-
Eu? Até parece! Para que eu iria ai? Por que eu iria?
-
Porque você me ama! – eu
ri e corei.
-
A ta bom! Então AMOR DA MINHA VIDA – eu
gritei na janela, acho que ele ouviu, para falar a verdade, acho que o bairro
todo ouviu – vou fuçar mais um pouco aqui
no computador e já apareço ai ta bom? – ele ainda ria por causa do meu
grito.
-
Então ta! Até daqui a pouquinho!?
-
Até daqui a pouquinho!
Voltei para o computador, dei um tchau no
twitter e quem foi o primeiro que me responde? O próprio! Eu ri quando eu vi
aquilo, ele disse: “No meu caso vai ser
“oi” né amorzinho da minha vida?“ eu respondi um “ahsuashaush” e depois um “sim”,
fechei tudo rápido antes que aumentasse a quantidade de pergunta e de “O.o” sobre o que ele me falou, prendi
meu cabelo em rabo de cavalo – cabelo cacheado não é problema, basta você saber
aproveitá-lo – e prendi a minha franja, esperei o computador desligar – não
sabia o quanto ia demorar – e então desci as escadas correndo e fui em direção
a porta, sem nem parar, como sempre fazia.
- Mãe, vou à casa do Justin! – gritei.
- Ta bom minha filha, mas não esquece
do jantar.
Fechei a porta e corri em direção a casa dele,
não sabia se ia bater, chamar – gritar – ou bater palmas, sei lá né, mas –
ainda bem – nem precisou, antes que eu chegasse perto da porta, ela já a abriu,
eu freei antes que batesse de frente com ele, o que foi quase. Subimos até o
quarto dele que era realmente gigante! Tinha uma cama de casal, só que tinha
muita caixa e coisas espalhadas por todo o lado.
- Tinha como ficar mais bagunçado não?
E olha que você estava arrumando antes que eu chegasse aqui – ele riu.
- O pior que não tinha! – eu ri e ele
continuou rindo – Por isso que pedi sua ajuda, é muita coisa e estava um saco
para arrumar isso, quando ta entediante eu consigo fazer menos coisa ainda.
- Só que eu cheguei para alegrar a sua
vida! – e retornamos a rir, é assim o tempo inteiro. – Mas é melhor começarmos
logo, se não, não é hoje que terminamos.
- Isso!
- Mas antes me responde uma coisa.
- Fala – ele disse olhando para todo o
quarto pensando por onde começar.
- Como você conseguiu meu celular?
- Ah! Ontem lá na sua casa, você tinha
deixado o celular em cima da mesa do computador, aí eu tomei a liberdade de ver
ser número – ele me olhou e sorriu.
- Ah!
- Por quê? Algum problema? – ele disse
meio assustado.
- Não, não, imagina, é só bom avisar ás
vezes.
- Ah! Desculpa – alguém resiste a uma
carinha de cachorro sem dono?
- Tudo bem J.
- J?
- Seu nome e muito grande, dá preguiça
de falar às vezes.
- Sua preguiçosa! – eu sorri.
- Então, vamos começar né? – olhei
para ele.
- Sim! – ele me devolveu o olhar ao
responder.
Ficamos ali por horas, muito tempo mesmo, era muita
coisa e a gente brincava mais do que arrumava. Dentro de alguma caixa, eu achei
uma foto muito fofa dele quando era criança, e – não sei por qual motivo – ele
quase que conseguiu arrancar a foto da minha mão, então saí correndo pelo
quarto cantarolando e o chamando de coisinha fofa da mamãe, ele por sua vez,
saiu correndo atrás de mim, demos várias voltas pelo quarto, eu subia em cima
da cama e pulava para o outro lado, numa dessas vezes eu quase fui de cara no
chão, eu ri, mas não parei de correr, até que uma hora , ele conseguiu me
derrubar na cama, pulou em cima de mim,
segurou meus pulsos, eu ria muito, ele realmente estava furioso comigo,
mas eu estava achando graça, sabia que aquela fúria não ia durar por muito
tempo.
- Eu não sou filinho da mamãe – ele disse
baixinho para mim, até porque o seu rosto estava bem próximo ao meu.
- Ah é? Prova! – dei um sorrisinho de
lado.
- Você não vai querer que eu prove.
- Como você tem tanta certeza?
- Você tem certeza que quer que eu
prove?
- Sim!
- Então ta, lembre-se que você que
pediu – ele foi se aproximando mais do meu rosto.
- Crianças, é melhor descerem para comer
algo, vocês já estão aí há muito tempo.
A mãe do Justin, a Sra. Pattie, nos
interrompeu, não sei se foi bom, não sei se de fato queria aquilo, sua boca já
estava bem próxima da minha, mais alguns milésimos de segundos e já estaríamos
no beijando. Demos sorte que ela não abriu a porta, só bateu, nessa hora, o
Justin se jogou para o meu lado na cama saindo de cima de mim.
- Er... é melhor a gente descer né?
- Sim, sim, é melhor! – respondi.
Ele se levantou e foi andando até a porta, eu
o segui até a cozinha no andar de baixo da casa, a mãe dele havia preparado
alguns sanduíches e suco, nos sentamos ao redor da bancada da cozinha e
começamos a comer, eu estava morrendo de fome – não sei por que – e de sede
também, de fato havíamos ficado muito tempo dentro do quarto, como eu imaginava.
Ih! É mesmo! E agora para voltar para lá? Vai que... não, não, é melhor eu ir
para casa, mas eu não quero ir embora, e agora? Não sei com que cara vou voltar
para aquele quarto, sozinha com ele.
Terminamos de comer, bem rapidinho, realmente
estávamos com muita fome, ele se levantou e eu fiz o mesmo, fomos andando até a
escada, ele subiu os três primeiros degraus e eu? Bom, não consegui subir,
parei entre a porta e a escada, será que eu subia ou será que iria para minha
casa? Vai que acontece o que não aconteceu se eu subir? O Justin se virou, nós
nos encaramos por alguns segundos.
- Vem, eu prometo me comportar – ele
estendeu uma das mãos para mim e sorriu, tinha como resistir? Não!
Dei de ombros, segurei a sua mão e
subi o primeiro degrau, depois ele soltou a minha mão e subiu as escadas
correndo. Fiz o mesmo. Chegando lá, ele fez questão de me deixar longe das
caixas de fotos e de varias outras coisas de quando ele era pequeno. Já
tínhamos arrumado bastante coisa apesar das brincadeiras e de... deixa para lá,
então resolvemos deixar o resto para o dia seguinte, aí eu já teria um pretexto
para voltar, então sentamos na cama, um de frente para o outro, começamos a
conversar, falamos de várias coisas, até que entramos num assunto, que eu
preferia que nem existisse.
- E a Louise? – pronto!
- O que tem?
- Ela e bem bonita, loira, tem um
corpaço, olhos azuis lindos! – a não! Eu tenho mesmo que ouvir isso? – acho que
fiquei parecendo um bobo perto dela – acha? – mas ela é muito linda – eu já não
to aguentando mais – ela é uma gata! – foi a gota d’água.
Me levantei da cama rápido, saí correndo,
quando cheguei na parte de baixo, ouvi a mãe dele falar comigo, mas não quis
nem saber, abri a porta e continuei correndo, no meio da rua eu pensei em
volta, mas para que? Para ele perguntar por que corri, eu mentir o motivo e ele
voltar a falar sobre ela? Não, não mesmo! Continuei correndo, entrei em casa,
minha mãe perguntou o que tinha acontecido, mas não estava a fim de responder,
subi a escada correndo, entrei no quarto e tranquei a porta, foi só aí que eu
parei de correr, foi só aí que eu percebi que algo gelado escorria no meu
rosto. Fui para o banheiro e quando me olhei no espelho percebi que meu rosto
estava bem vermelho, coloquei as pontas dos dedos no rosto e depois encarei
aquelas gotas de lagrimas, para mim isso tudo é muito confuso, não sei como se
gosta de alguém, nunca gostei de ninguém, na verdade já sim, mas não era tudo
isso que eu sinto, não, não, como posso gostar dele? O conheço há um dia
apenas, mas porque isso tudo então? Lavei o meu rosto, não importasse o que
fosse não valia apena chorar, não por ele. Me sentei na cama, peguei uma folha
e uma caneta, liguei o Ipod coloquei o headphone no ouvindo, sentei na cama, e
comecei a escrever, não sabia o que muito bem, só escrevia as primeiras
palavras que viam na minha cabeça. Eu ouvia a música “About you Now” da Miranda
Cosgrove quando terminei de escrever e assim que olhei para cima, lá estava
ele, parado na porta, provavelmente com medo de entrar e com uma expressão
confusa como sempre, aumentei o volume do Ipod e do headphone o máximo, amassei
a folha e joguei para o alto, nem vi aonde ela caiu, encostei na cabeceira da
cama e o fiquei encarando, meu Deus como ele podia ser tão perfeito? Perfeição
assim não poderia existir, para que nesses momentos a gente não tivesse vontade
de desistir da raiva. Ele veio até mim, se sentou na cama, bem na minha frente,
eu continuei o encarando, ele tirou meu headphone e me olhou durante um tempo.
- Por que...?
- Eu sei o que você vai dizer.
- Então por que não para de bancar a
louca e me explica tudo de uma vez?
- Não é uma coisa fácil de explicar.
- Você não confia em mim?
- Confio.
- Então por que não fala? – a culpa
não era dele, Louise era realmente bonita, ele não sabia de nada, nem do começo
da história, como eu poderia ficar com raiva dele? A culpada sou eu, por não
contar nada.
- Já disse que não é uma coisa fácil
de explicar – me sentei direito, deixei de ficar escorada na cabeceira e
cheguei mais perto dele – Desculpa novamente Justin, eu devo está te
enlouquecendo só nesse pouco tempo.
- Deve não, está!
- Me desculpe, você não tem culpa de
eu ter saído correndo, me perdoa de verdade.
- Claro! Mas só se você me prometer
não bancar a louca de novo e me deixar sem entender nada.
- Ta bom! – nós nos abraçamos, o abraço
era confortante, quente, carinhoso, o melhor que eu já recebi.
- Bom, agora eu vou ter que ir embora.
– ele deu um pulo da cama, ficando em pé.
- Mas já?
- O jantar está quase pronto e eu nem
troquei de roupa ainda, to com a mesma roupa que fui para escola de manha –
blusa xadrez meio azul, uma jaqueta meio bege, tênis roxo e calça jeans preta.
- Amanhã a gente se vê então?
- Claro! – eu sorri e ele devolveu o
sorriso, depois saiu correndo porta a fora, olhei pela janela, só o vi correndo
e entes de entrar em casa, ele se virou, sorriu e acenou para mim.
Voltei para o computador, mas não
fiquei muito tempo lá, minha mãe chamou para jantar, desci, jantei em silêncio,
graças que a minha mãe não veio me perguntar o que havia acontecido, a única
vez que tentei explicá-la sobre o “problema” na escola, ela disse para ignorar
– como se isso fosse possível – e então, nunca mais falei nada do que acontecia
na escola para ela e outra que ela ia falar do Justin e que eu estava gostando
dele e bla, bla, bla... Subi para o meu quarto, coloquei o antivírus para
passar no computador e enquanto isso, fui tomar banho, desliguei a tela, peguei
a toalha e uma roupa já para dormir – não ia sair do quarto mais mesmo – apesar
de que dormir mesmo só bem mais tarde. Terminei de tomar banho rápido, coloquei
a roupa e grudei no computador, o antivírus já tinha terminado de passar, então
fui da uma olhada no movimento do blog, do twitter e do e-mail, caixa lotada
como sempre, vários replys e comentários, fui tentando responder todo mundo,
até que bateram na porta.
- Entra!
- Oi!
- O que você ta fazendo aqui? Já está
bem tarde e não faz muito tempo que você veio – eu o olhava e ele fazia o
mesmo.
- Poxa! É assim que você me trata? –
ele fez um biquinho perfeito se querem saber – Se quiser eu vou embora!
- Não Just, desculpa.
- Sempre! Na verdade eu vim porque
minha mãe pediu para falar um negocio com a sua e eu resolvi vim te dar um “oi”.
- Ah ta! Traduzindo, você não consegue
viver sem mim! – ele acabou rindo.
- Não! Não mesmo.
Ele se sentou na cama, enquanto eu terminava
de responder os replys, ele estava quieto lá trás, mas era tanta coisa, que nem
deu tempo de olhar o que ele tanto mexia.
- Ah! Agora ta tarde mesmo, eu tenho
que ir. Até amanhã!
- Até Justin.
Ele saiu, dessa vez não fui olhar na janela,
já estava bem escuro, não ia consegui vê-lo direito. Desliguei o computador, já
estava com muito sono, deitei na cama e rápido dormi.
--
Que linds, recebi comentários... quem foi? *O* eu não modo poxa, pode falar.
Então, mesma coisa comentários e SIGAM, sério, não vai interferir em nada, a não ser dar uma alegria a mais a minha pessoa, owntý.
Até
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