Pov's Bieber
Acordei bem feliz hoje – ironia –, não acredito
que vou me mudar, eu amo esse lugar, por que teria que ir para outro? Não
queria ir, mas fazer o que? Minha mãe estava tão feliz, iria ficar longe de
certas confusões que está rolando por aqui com o meu pai – eles se separaram –
e isso me deixava feliz também, mas e meus amigos? Minha escola?
Entrei no carro e minha mãe partiu, ela estava
tão feliz que eu chagava a ficar mal por não estar tão animado com a ideia da
mudança. Deitei no banco de trás do carro, coloquei meu ipod para tocar e pus os
fones de ouvido numa tentativa fracassada de afastar alguns pensamentos da
minha cabeça como: Como será lá? Como será a escola? Será que vou me enturmar
fácil? Será? Será? E acabei dormindo a maior parte do caminho então quando
menos percebi já tínhamos chegado à casa nova, ela era realmente linda, o lugar
todo era, me encantei com tudo principalmente com... com a casa em frente a
minha, eu pensei em dar uma volta de 360º mas parei no 180º, eu encarava aquela
casa como se a minha vida nesse novo lugar fosse partir dela. Uma mulher saiu
daquela casa e veio na minha direção, quando minha mãe viu se aproximou
rapidamente de mim, ela veio até nós, disse que se chamava Anna e que era a
nossa nova vizinha e queria que a gente almoçasse com ela e com a filha em um
restaurante perto de casa, minha mãe respondeu que sim, a mulher perguntou a
minha idade e eu disse que tinha 16 anos então ela falou que a sua filha tinha
a mesma idade e provavelmente a gente ia se dá muito bem. Minha mãe e ela se
deram super bem, conversaram sobre algumas coisas que sinceramente não prestei
atenção alguma, não estava muito feliz com essa situação, mas pela minha mãe
não lutei para não vir para cá.
A vizinha – Anna – cumprimentou minha mãe e a
mim depois voltou para a casa.
Quando entrei na minha nova casa fui direto
para o meu novo quarto, ele era enorme e bem bonito, separei uma roupa, todas
as coisas já estavam no meu quarto, mas ainda tinha muita gente dentro de casa,
era caixa na sala, na cozinha, nos quartos, eu nem imaginava que tínhamos tanta
coisa na nossa antiga casa. Eu sentei na minha cama, que já estava montada, ao
lado da roupa que joguei em cima dela, peguei o meu notebook, para ver se alguns
dos meus amigos estavam On, mas como eu já imaginava, não, todos off, esperei
algum tempo até que cansei, fui para perto da janela e fiquei olhando para a
casa da frente, ela era perfeita e eu estava fascinado, não sei porque. Quando
voltei do transe e da melancolia eu vi uma garota olhando para cá e indo em
direção à casa da frente, ela era bem bonita – era o que parecia daqui –, estava
com uma jaqueta preta e uma calça jeans. Deu uma última olhada para cá e entrou
na casa.
- Mãe! – gritei – Acho que
a filha da vizinha chegou.
- Ah sim! Vai se arrumar
então, porque daqui a pouco a Anna vai ligar – oh, “a Anna” estavam intimas já.
Fui para o banheiro tomar
banho na intenção de não demorar – o que eu foi em vão – mas minha cabeça
estava a mil, eu estava ansioso para esse almoço, não entendo o motivo, algo me
dizia que tudo ia acabar bem e que se mudar para cá não seria ruim, mas eu não
conseguia acreditar. Saí do banho, coloquei a roupa que tinha separado para o
almoço, calça cinza, tênis branco, camisa xadrez preta e branca, com uma
camiseta branca por baixo. Ajeitei meu cabelo e pronto! Antes de descer, olhei
pela janela e vi a mesma garota, vestida de preto, com uma calça jeans e um All
Star, sentada enfrente a porta da casa dela, fiquei a olhando – que olhou o
tempo todo para cá, mas acho que não me viu – até que a Sra. Anna saiu de casa
e ela se levantou. Mesmo com um sério risco de cair, desci a escada correndo,
cheguei lá em baixo ofegando, mas respirei fundo para disfarçar, minha mãe
olhou para a minha cara meio “ninguém te merece” e depois abriu a porta, fui
para trás dela, vi a Sra. Anna, mas nada da filha dela, minha mãe saiu e eu
olhei para ver se tinha alguém e nada, ninguém além da nova amiga de minha mãe.
Fiquei viajando ali até que minha mãe me chamou, um pouco decepcionado, saí de
casa e fechei a porta, quando me virei, a vi, ali parada na calçada da minha
casa, porque será que ela não veio até aqui? Ah! Tanto faz, eu estava feliz por
ela estar ali – ainda não entendo o porquê – e aquela decepção desapareceu como
num passe de mágica.
Fomos para um restaurante perto de casa, a
mesa era de quatro pessoas, eu fiquei de frente para a mãe dela e ela de frente
a minha. Tempos depois o pai dela apareceu, então eu tive que chega para o lado
para ele sentar. Fiquei perto dela, bem próximo mesmo e aquilo me agradava de
algum modo, eu não estava prestando atenção em nada que as nossas mães diziam,
eu reparava nela, bem discretamente, ela encrava nossas mães ou se não o prato
e isso me agoniava, esse silêncio entre nós, não falamos nada, absolutamente
nada, tentei puxar assunto, ela olhou para mim, e olhou, olhou e enfim
respondeu, pelo que ouvi, ela vai estudar junto comigo – YEAH! Hã? – pelo menos
a escola vai ser a mesma.
Conversamos o caminho todo de volta para casa,
ela era muito legal, ótima para conversar, só que tinha um problema, eu não
sabia o seu nome, eu tinha que perguntar de algum modo, e rápido já estávamos
chegando em casa, rápido, rápido, rápido! Já era! Já estávamos na frente da
minha casa e eu, covarde como sempre, não tive coragem de perguntar. Parei em
frente à porta de casa decepcionado comigo mesmo, eu não acredito que nem o
nome dela eu sei, que covarde! Qual o problema de perguntar: “Qual o seu nome
que eu ainda não sei?”. Quando ia botar o pé dentro de casa ouvi passos atrás
de mim, passos rápidos, me virei e a vi correndo em minha direção, ela chegou
perto de mim ofegando e quando conseguiu falar perguntou meu nome de um jeito
como se a gente fossemos duas crianças e eu gostei disso, foi engraçado,
confesso! Eu disse meu nome: “Justin Bieber” e ela o dela: “Lua Houston”, eu
gostei do nome é diferente e bem bonito, como o sorriso dela – Ei! O que ta
acontecendo comigo alguém me explica?
Ela foi para a casa dela e eu entrei na minha,
fui direto para o quarto, sabe... adoro conversar com a minha mãe, mas dessa
vez não, então nem esperei ela começar a falar, fechei a porta e corri, subi a
escada o mais rápido do que desci hoje mais cedo, entrei no quarto, empurrei a
porta para fechar e me joguei na cama, eu não estava entendendo, não estava me
entendendo! Por que o seu nome não saia da minha cabeça? Por que eu ficava
lembrando sempre do que aconteceu no almoço? Por que... LUA, LUA, LUA... aaah!
Fiquei encarando o teto durante um tempo,
deixei que as perguntas viessem na minha cabeça, tantos “por que”, tantos
“será”, tantos pensamentos confusos na minha cabeça, era tanta coisa que eu não
aguentava mais, ainda bem que minha mãe gritou dizendo que ia sair com a mãe
dela – e ela de novo – só assim para me tirar daquela hipnose – ou me colocando
em outra. Resolvi pensar menos e agir mais, saí do quarto correndo, o mais
rápido que eu pude, o mais rápido que eu já corri na minha vida – exagerei? – e
só parei quando atravessei toda a rua, parei e respirei fundo, subi as escadas
e bati na porta, ela não demorou para abrir e
parecia surpresa em me ver.
- Oi – eu disse.
- Er... ãn... Oi Justin, o
que você, bom er... – ela se complicou toda para falar, será que ela não me
queria aqui? Será que... eu não aguentei, tive que rir, o fato dela ter se
complicado toda me fez rir.
- É que minha mãe saiu com
a sua... de novo, fiquei sozinho em casa e pensei em vir para cá, mas se você
quiser eu vou... – eu apontei pra minha casa, e acho que ela entendeu o que eu
quis dizer por que nem me deixou terminar e já me mandou entrar. Detalhe que só
consegui falar quando parei de rir, o que demorou um pouco.
Parei
na sala, esperando que ela “desse as ordens”, esperando ela dizer para onde a gente
ia e etc. Lua passou na minha frente e parou no degrau da escada, não pude
evitar e nem resistir em dar uma “conferida”, ela estava com um short meio
curto – não muito – e a blusa que ela foi para o almoço comigo, ou não er... no
almoço das nossa mães e que eu também estava, não er... é que... é melhor
deixar pra lá! Bom ela estava bonita, parecia ter um corpo bonito, era magra,
mas com corpo – entendeu? – mas o pior é que ainda escondia o rosto, eu não
conseguia ver seus olhos direito, não consegui ver seu rosto direito. Ela me
tirou desses pensamentos quando me chamou para ir ao quarto dela, não me movi,
fiquei com medo, confuso talvez, mas resolvi subir assim que me chamou de novo,
ela estava sozinha em casa, bom, agora nós estávamos sozinhos. Chegando lá ela
foi para o computador e eu fiquei parado do lado da cama, olhando para o
quarto, na verdade logo uma coisa me chamou a atenção e me fez esquecer o
resto, eu fiquei surpreso, perguntei se ela tocava violão e ela disse sim, eu
andei em direção ao violão e vi uma pasta com algumas folhas dentro, eram
canções, músicas escritas por ela, porém não consegui ler nenhuma, Lua puxou a
pasta da minha mão, eu pedi para que me deixasse ler, mas nem jogo emocional
funcionou.
Sentei no banco que tinha perto do violão e
comecei a tocar, toquei uma música minha chamada “Favorite Girl”, essa canção
me trazia más lembranças sempre que eu cantava, então resolvi parar de cantar
durante um bom tempo, mas algo mais forte me fez escolher ela agora. A música
que eu escrevi para a garota que mais gostei na minha vida, mas que me
desprezou, agora estava de volta e não me fazia sofrer mais. Terminei de tocar
e a chamei para tocar também, chamei não, obriguei, ela não queria de jeito
nenhum, disse que era só para humilhá-la, eu ri, da onde tirou essa ideia? Como
se eu cantasse bem né? Ela acabou desistindo e foi tocar, sentei no computador
para ver o que ela tanto fazia lá, quando abri o programa apareceu uma foto um
par de olhos perfeitamente perfeitos, a perguntei de quem era aqueles olhos,
ela disse que eram dela, duvidei até o momento que a olhei, ela tinha prendido
aquela bendita franja – graças – e assim deu para olhar seu rosto melhor, muito
melhor, ela não era bonita, era linda, muito linda, seus olhos castanhos claros
– um pouco puxado pro escuro – tinham um brilho próprio, sua voz parecia uma
melodia suave, seu rosto, pequeno e tão delicado, sua boca carnuda... ela me
encantava, me hipnotizava legal, cantava perfeitamente bem e tocava milhões de
vezes melhor do que eu e as suas músicas – ela tocava uma música que eu não
conhecia, suponho que seja dela – são muito boas, não tem palavras para
descrever muito bem, eu estava perdido, desnorteado, me desliguei legal do
mundo e de tudo na minha volta nesse momento.
Lua tocou a nota final, eu perguntei se a música
era dela e sim, era. Ela olhava para mim, mas eu só conseguia olhar nos seus
olhos, eles me fascinavam, eu estava sentindo uma coisa tão estranha e
diferente dentro de mim e que nesse momento me fazia tão bem. Ela gritou meu
nome, só aí acordei – eu acho –, pedi desculpas, mas não adiantou muito, ainda
olhava naqueles olhos. Disse a ela que eles eram lindos e que não entendia o
motivo dela os esconderem e ela respondeu algo baixo de mais para que eu
entendesse, continuei a “encarando”, ela disse que já estava dando medo – eu?
Isso é possível? – mas não conseguia evitar, seus olhos prendiam toda a minha
atenção! Eu pedi desculpa e tentei me explica, mas acabou que a gente riu um
pouco e ela foi tirar a blusa de baixo – a de manga comprida – no banheiro,
quando voltou, li, em voz alta, o seu texto, o que ela acabara de escrever no
blog – muito movimentado e frequentado –, um texto bonito, essa garota
realmente leva jeito para cantar, tocar e escrever, além disso, faz tudo o que
eu mais amo, até andar de skate, na verdade, ela disse que só se “equilibra”
porque um amigo não a quis ensinar a andar, para falar mais verdade ainda, ela
não disse que era amigo dela, não de cara, fiquei um pouco de medo – credo, eu ainda
não acredito que eu fiquei – assim que veio a ideia – foi a primeira ideia –
que ele podia ser o namorado dela, mas logo ela explicou e disse que era o
melhor amigo na escola e nada mas. Eu disse que a ensinaria, então, a andar de
Skate, ela ficou surpresa quando me propus a ensiná-la, mas riu quando a
perguntei se ela achava se era a única multifuncional ali. Lua foi carregar o
postar no blog e aproveitou para colocar algumas músicas para tocar, de repente
ela começou a cantar, voltei a me hipnotizar, por aquela voz perfeita, quando
ela gritou “bad” na minha direção, eu só consegui dar um sorriso, estava
completamente perdido em seus olhos.
- Eu já disse que isso me
dá medo.
- Ah! Desculpa, sério, mas
você canta muito bem.
- Olha quem ta falando –
ela se virou para a tela do computador.
- É sério, ninguém nunca
te disse isso?
- Só minha mãe, mas você
sabe como são as mães, não dá para confiar no que elas falam.
- É realmente, elas falam
tudo para nos agradar. Já que ninguém te disse isso eu te digo: – me levantei,
girei a cadeira dela na direção da cama e sentei de novo – você canta muito
bem!
- Digo o mesmo para você e
valeu!
- Não canto tão bem assim
– eu a olhei nos olhos, de novo – não como você.
- Sem comparação, eu canto
muito melhor do que você, claro! – ela me disse num tom de brincadeira, mas se
percebi bem, estava um pouco nervosa, talvez com o modo como eu a olhava, mas
não consigo resistir.
- Ainda bem que você sabe
– retornamos a rir.
Ficamos ali a tarde toda, era divertido conversar
com ela, nessa hora do dia, nós estávamos sentados na cama, um perto do outro,
conversando e rindo muito, falando sobre as nossas vidas, eu a contei como era
a minha vida na outra cidade e ela me contava como é a vida dela aqui em
Stratford, mas eu senti que me escondia algo, resolvi não falar nada, talvez
ela não tivesse confiança em mim o suficiente, afinal nos conhecemos há apenas
um dia. Nossas mães demoraram muito para chegar, acabamos jantando lá, foi tudo
muito divertido, rimos o tempo inteiro. Fui embora um pouco triste pelo dia ter
acabado, mas feliz porque tinha sido muito bom, não foi aquele pesadelo e nem
nada do que eu estava preocupado, as perguntas que me atormentavam já tinham
ido embora há tempo, agora eu sabia que a escola não seria uma porcaria total,
porque agora eu tinha a Lua e eu sentia – não sei por que – que ela não me
abandonaria, nem me deixaria sozinho.
Troquei de roupa e fui dormir, bom, fui tentar
dormir, fiquei pensando nela durante um bom tempo, eu estava bem curioso e
animado por causa de amanhã, primeiro dia de aula, eu me sentia como uma
criança que ia para o seu primeiro dia de aula, um garotinho pequeno que nunca
tinha ido para a escola na vida, eu estava feliz, sim, e de verdade. Sem
perceber acabei adormecendo.
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Oi, como vão? Bom, não sei se sabem, mas aceito comentários ok? E podem seguir também, desde que tenham Twitter, Blogger, Google e mais outros que eu não lembro... enfim, não rola desculpa. (:
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