- Lua, Lua, acorda minha filha, você
vai se atrasar! Levanta! – ao mesmo tempo em que minha mãe dizia, ela me
sacudia como nem sei o que, isso tudo só para ir para a escola afinal quem foi
o idiota que inventou isso de escola? Ah! Meu nome é Lua, Lua Houston - adoro falar assim, parece o James Bond - e eu amo
ele, é diferente e super original – né!?
- Ain...Mãe, precisa disso
tudo só para me acordar para ir para a escola? E afinal quem foi o idiota que
criou a escola?
- Sim precisa disso tudo
Luazinha, e deve ter sido alguém muito inteligente, para ter inventado a escola.
- Ah mãe! Para com isso,
Luazinha? Você me chamava assim quando eu tinha o que? Três anos de idade?
- Minha Luazinha – ela já
estava de pé, na frente da porta branca, do meu quarto pintado de azul bebê,
detalhe que ela fez questão de colocar ênfase no meu apelido de bebê, arght!
Odeio quando ela me chama assim.
Assim que minha querida mamãezinha – sarcasmo
agora – saiu do meu quarto perfeito – o melhor lugar do mundo a onde sempre
passei maior parte da minha grandiosa vida – me levantei e fui me arrumar para
ir para o melhor lugar do mundo: A escola! Blusa de meia manga lilás, jaqueta
preta, calça jeans escura e tênis all star preto com uns detalhes muito que
ridículos do lado. Quando desci para o café da manha, minha mãe já tinha posto
a mesa, era panqueca – amo panqueca – cortadas em mil pedaços – ah! Minha mãe
acha que eu sou criança né? Só pode, cortar em mil pedaços para que? Para eu
não me engasgar? Ah! Fala sério.
- Mãe! Ainda não entendo
isso de panqueca em mil pedaçinhos.
- É para você comer mais
rápido ir para a escola mais cedo.
- Como se eu quisesse ir
para a escola – sussurrei
- O que você disse?
- Nada mãe, esquece.
Meu pai já tinha ido trabalhar, ultimamente
ele está saindo bem cedo e não da para me levar, então eu? Tenho que ir a pé
para aquele inferno juvenil. Comi bem rápido, peguei minha mochila e disse um
“tchau” com toda a minha animação – como se eu tivesse alguma – e saí. Quando
olhei para a casa em frente, percebi uma leve movimentação, acho que hoje mesmo
os novos donos chegam, quem será que vai morar aí? Espera! E desde quando me
importo? Vai fazer alguma diferença? Aposto que vou ser a garota invisível só
para mais uma família.
Fui para a escola, tentando não pensar em
muita coisa, pensei nos meus amigos, que são o que fazem a escola ficar pelo
menos um pouco suportável, a Karolyne linda e fofa, minha amiga desde pirralha,
a ruivinha da Hayley e o besta do Luka, só eles mesmo para tirarem a minha
ignorância matinal.
Foi tudo um saco como sempre, cumpri com as
minhas atividades de sala, e adiantei os deveres de casa – porque se fossem
para casa mesmo, iam voltar todos sem fazer – assim, cara fechada o dia todo,
meus melhores amigos não são da minha sala e eu to na sala das maiores Patys do
colégio – meu pecado foi tão forte assim? –, e uma delas é a Louise James, ela
não perde a oportunidade de me chatear, da vontade de mandar ela para Plutão,
ou para Mercúrio, para ela se torrar no sol – estou sendo delicada. Quando – em
fim – a escola acabou, fui sozinha para a casa, não estava a fim de papo, se
não ia acabar xingando alguém, de tanta raiva que tava daquela Louise – eca! A
única coisa que eu queria era chegar em casa, almoçar e me largar no sofá, ou
cair na cama e não levantar tão cedo, mas, como nem tudo é perfeito, e na minha
vida menos ainda, eu cheguei e fui realizando logo a primeira opção, me jogar
no sofá, mas só foi eu cair que vem minha mãezinha querida dizendo:
- Levanta filha, vai se
arrumar que vamos almoçar com a nova vizinha – estraga prazeres.
- O QUE? – a não, não
quero.
- Isso mesmo que você
ouviu, vai se arrumar.
- Ah mãe, vou não.
- Vai sim.
- Não.
- Vai.
- Não.
- Vai se não eu tiro o
Notebook de você – aí ela jogou sujo.
- Fala sério em! Ah! To
indo já!
Isso não era justo tirar logo o único por onde
eu era alguém? Nossa, jogada muito suja a dela! Eu tomei meu banho na paz – sem
pressa – e quando saí, peguei minha calça jeans, coloquei uma blusa de maga
comprida justa ao corpo, preta e como ela é curta na barriga, joguei uma blusa
preta de manga curta com detalhes brancos acompanhado com meu all star xadrez,
e meu cabelo meio cacheado com a franja. Desci as escadas já sabendo o que
minha mãe ia dizer, ia falar a mesma coisa de sempre: “você vai com essa
roupa?” “minha filha você tem roupa melhor do que essa”, e quer saber? Não deu
outra.
- Você vai assim?
- To te esperando lá fora
mãe – desci e andei na direção da porta, sem parar, é o único jeito de evitar
um interrogatório que iria encher a minha paciência.
Sentei na escada enfrente a porta e fiquei
olhando para a casa da frente, o caminhão que estava lá quando cheguei, já
tinha ido embora, então dava para olhar melhor, eu não tinha percebido, mas
eles fizeram uma reforma naquela casa velha que ficou realmente linda.
- Vamos filha. – minha mãe
saiu de casa, trancou a porta e foi andando em direção à casa da frente
enquanto falava algumas coisas lá que não entendi bem, minha cabeça estava
lotada de coisas e aquela casa me fascinava, fiquei olhando para a porta o
tempo inteiro, queria saber quem iria sair dali, não sei por que, mas queria.
Quando percebi, eu já estava na calçada da
casa da frente e parei por aí, minha mãe foi tocar a campainha enquanto eu
fiquei lá, olhando fixamente para aquela porta, como se de lá fosse sair algo
que iria mudar a minha vida para sempre – até parece. Daquela porta saiu uma
mulher, muito bonita, de cabelo liso e castanho claro, seus olhos eram as coisas
mais lindas, ela era magra, parecia que foi feita a mão por alguém muito
talentoso. Ela falou algo com minha mãe, estava muito longe para entender o que
era, ela saiu de frente da porta, mas a deixou aberta – por que será? – e começou
a andar na minha direção, não reparei muito, eu ainda estava meio curiosa,
talvez, para saber o porquê que deixou a porta aberta, segundos depois veio a
minha resposta, era... Era... Era um garoto muito lindo – eu disse mesmo isso? –
e põe lindo nisso – eu repeti? – cabelos castanhos, da cor dos da mulher que
provavelmente era a sua mãe, seus olhos era a coisa mais linda que eu já vi em
toda a minha desprezível vida, tinha um brilho próprio, ele parecia ter sido
desenhado por anjos, de tão... Tão... Perfeito – afinal o que há comigo?
Nos fomos para um restaurante perto de casa,
a mesa era para quatro pessoas, minha mãe sentou em uma ponta e ele na outra,
eu fiquei de frente para a mãe dele, elas ficaram conversando, ele e eu quase
não falamos nada, nosso almoço demorou muito – mas muito mesmo – para chegar.
Ele era tão lindo... Ah! Para Lua, pode parar!
Nós, ou
melhor, minha mãe e a dele – mais a minha – tagarelavam sem parar um minuto sequer
e nós dois almoçamos quietos só concordando com algumas coisas, mas falar mesmo,
nada! Meu pai – não sei por qual milagre – chegou ao restaurante e se sentou
com a gente, para não pegar outra mesa, sendo que era uma pessoa só, o garoto
perfeitamente lindo – ah quero me matar por ter pensado nisso – chegou perto de
mim, bem perto, tão perto aponto de eu conseguir sentir a respiração dele de
leve no meu pescoço quando ele se virava para olhar as nossas mães. Eu não
conseguia mais prestar a atenção em nada que acontecia em minha volta, eu
olhava para a minha mãe e para a dele ou se não, olhava fixamente para o prato
de comida na minha frente – não comi tudo era muita coisa – eu sentia como se
uma carga elétrica percorresse todo o meu corpo, da ponta do pé até a minha
cabeça, todo o meu corpo arrepiava cada vez que sua respiração encostava em mim
de leve – eu estou ficando louca só pode.
- Você estuda no
colégio... Hã... Aquele mais próximo de casa, que esqueci o nome – que hã, o
que? Ele ta falando comigo? É o que parece né? Ou não? Espera o que eu to
pensando aqui? Anda responde, responde!
- É, eu estudo lá sim –
parei para rir, ele fez uma cara engraçada, de confuso, sem graça, não sei
dizer – e você.. er... Vai estudar lá também? – lutei para dizer, eu estava
olhando dentro daqueles olhos e era difícil concentrar em outra coisa além
deles, eram completamente encantadores e...
- Vou sim, começo amanha
mesmo. É bom ter alguém já “conhecido” lá – ao dizer isso, ele interrompeu meus
pensamentos e fiquei feliz por isso. Eu retornei a rir dele, já que vivia
fazendo caras e bocas. Ao falar ele fez as aspas no ar, e fez uma cara, que
saiu muito... fofa? Eu devo estar enlouquecendo mesmo, que horas vamos embora
para eu poder me jogar na cama, e esquecer esse garoto que nem sei o nome,
esquecer esse sorriso, esse olhar... – aaaaaaaaaaaaaaaaaaah!
Não conversamos muita coisa, falamos algo aqui
e ali enquanto voltávamos – a pé – para casa, contei um pouco como era a escola
para ele, deixei algumas partes de fora claro – mal o conhecia, nem sabia o
nome dele e já ia contando que ninguém
ligava para mim e que eu odiava a escola? É ruim em!. Espera! É mesmo nem o
nome dele eu sabia ainda, pergunto ou não pergunto? Pensa rápido Lua, já
estamos chegando em casa, pergunta, pergunta!
Já era! Já estávamos na calçada da casa dele, ele nem meu nome
perguntou, mas acho que já sabia do jeito que minha mãe fala, deveria ter
contado para a mãe dele, mas até agora, ninguém nem citou o nome dele, eu
queria saber e muito ainda, qual seria o nome dele, qual será? Estava pensando
isso quando atravessava a rua, a gente tinha se despedido somente com um...
“Então... tchau” e uma troca de sorrisos sem graça. Eu não estava mais
aguentando, precisava saber o nome dele, parei no meio da rua, me virei para
saber se ele já tinha entrado em casa.
- Ei espera! – ele não
tinha entrado já estava na frente da porta, e quando me ouviu, se virou, no
rosto uma expressão meio... surpreso? Saí correndo na direção dele, com toda a
pouca velocidade que eu tinha, ao chegar lá não consegui falar de imediato,
estava ofegando, corri realmente rápido e cansei – esquecemos um detalhe.
- Qual? – ele me perguntou
confuso.
- As apresentações! Olá
meu nome e Lua Houston e o seu? – Ele olhou para mim e riu, eu acabei rindo
junto, era tão legal ficar perto dele.
- Você agora fez parecer
que estávamos no jardim de infância – continuamos rindo e ainda mais.
- Mas você ainda não me
respondeu, seu nome é...
- Justin Bieber, prazer em
conhecê-la – ele fez reverencia a mim, retornamos a rir.
- Hum... Cavalheiro! – e
mais risadas – Agora eu tenho que ir, minha mãe não está entendendo nada e
quando eu chegar em casa ela com certeza vai fazer um enorme questionário para
saber o que estávamos conversando e bla, bla, bla!
- É, duvido nada que a
minha também vai – estávamos sorrindo e muito, tivemos crises de risadas.
- Então Tchau! – eu disse
já andando para a minha casa.
- Tchau – ele disse com um
lindo sorriso no rosto, dessa vez não era mais sem graça.
Fui para casa muito feliz, assumo, Justin
Bieber... Esse nome realmente me agrada, estava com um sorriso de orelha a
orelha no meu rosto e posso jurar que meus olhos estavam brilhando, ah cara!
Minha mãe ia me encher, mas quer saber, e daí?
Atravessei a porta da minha casa e não deu outra.
- O que vocês estavam
conversando? Por que riram daquele jeito? Seus olhos estão brilhando? – viu?
- Tchau mãe vou para o meu
quarto.
- Mas minha filha, me
reponde vai me deixar aqui sem entender nada, o que acontece...
- Tchau mãe – nem a deixei
terminar de falar.
Subi direto para o meu quarto, chegando lá
empurrei a porta para que ela se fechasse e me joguei na cama, fiquei olhando
para as estrelas – aquelas que acendem no escuro, fluorescentes – no teto do
meu quarto, meu sorriso não queria sair do rosto, eu olhava para as estrelinhas
e pensava no nome tão lindo e no garoto tão lindo, Justin Bieber, sorriso
encantador, rosto perfeito, olhos hipnotizadores, ele era perfeito!
Perfeito de mais para mim, nesse exato momento
meu sorriso sumiu.
- Como se eu não já
soubesse onde isso vai dar, assim que ele aparecer na escola amanha, aquelas
patricinhas insuportáveis vão cair em cima dele e ele vai esquecer de mim, talvez
não seja uma invisível para ele agora, mas depois com certeza serei – falei comigo mesma, eu virei de
barriga para baixo, enfiei minha cabeça no travesseiro e soltei um grito, um
grito de raiva, de decepção talvez.
Lá de cima eu ouvir minha mãe gritar tempos
depois que o telefone tocou.
- Filha, vou sair, não
demoro.
Me levantei e olhei pela janela, minha mãe
havia saído com quem? Com a mãe do Justin claro, quem mais podia ser? Isso já
era de imaginar pelo tanto que elas conversaram hoje no almoço, parecia que
elas não iam longe, no mercado talvez, abastecer a geladeira da vizinha né?
Voltei para a minha cama, dessa vez me sentei, na verdade eu me joguei sentada.
Tirei meu all star e o joguei de baixo da cama, tirei a minha calça jeans,
joguei em cima da cama e coloquei um short, não dos muito grandes mais também
nada de um palmo... fechado. Como dentro de casa estava quente, prendi meu
cabelo deixando a franja solta e arregacei a manga da blusa de frio que eu
estava até o cotovelo. Fui para a mesa do computador para atualizar meu blog –
fake claro, porque se soubessem que é “meu” não faria o “sucesso” que faz –
escrevendo um texto engraçado, triste, revolts, pensativo, sei lá, o que desse
na telha e, além disso, pensei em passar uma foto no photoshop para complementar
o texto quando ouvi alguém batendo na porta, desci as escadas correndo sem nem
verificar – lá de cima – quem era, abrir a porta tranquila, sem medo de quem
poderia estar batendo – poderia ser um louco né, vou saber.
- Oi.
- Er... ãn... Oi Justin, o
que você, bom er... – me embolei toda para falar, mas o que ele estava fazendo
na minha casa? Detalhe que ele riu de mim por eu ter me embolado toda para
falar.
- É que minha mãe saiu com
a sua... de novo, fiquei sozinho em casa e pensei em vir para cá, mas se você
quiser eu vou... – ele apontou para a sua casa na frente da minha, mas ainda
olhando no meu rosto. Ele só conseguiu falar depois que parou de rir de mim,
coisa que demorou.
- Não! Que isso, pode
entrar, to sozinha em casa também, meu pai está trabalhando e só volta tarde e
minha mãe... bom você sabe, entra aí – ele entrou e parou no meio da sala e
ficou olhando para mim, atravessei a sala e fui em direção a escada e ele
continuou parado no meio da sala – vamos lá para o meu quarto, vem – ele olhou
para mim surpreso, subi dois degraus e olhei para ele que nem tinha se movido –
vem poxa, eu deixei o computador ligado, vem logo – ele deu de ombros e enfim
me seguiu, eu em, ele estava com medo de ir no meu quarto?
Subimos o resto da escada correndo, assim que
chegamos ao quarto ele passou na minha frente e parou ao lado da cama, fui
direto para a mesa do computador enquanto ele analisava todo o meu quarto, pelo
canto do olho eu vi que olhava fixamente para um lugar, fiquei curiosa para
saber o que tanto ele olhava, deixei a foto de lado – já tinha terminado ela
mesmo, só faltava salvar – e me virei para ver o que ele tanto olhava, descobri
rápido, não teve muito mistério, ele olhava para o meu violão – Sim, eu toco um
pouco de violão – que estava encostado no banco que eu sento para o tocar –
sempre que estou revoltada demais.
- Você toca violão? – ele
disse indo em direção ao banco e ainda olhando fixamente para o instrumento.
- Toco um pouco sim
- E pelo jeito escreve
suas músicas também – ele disse pegando uma pasta que estava em cima do banco.
- Sim escrevo – voei da
cadeira indo na direção dele – mas você não vai ler – puxei a pasta das suas
mãos e fui em direção à mesa do computador de novo.
- Por que não?
- Porque não!
- Poxa, assim você me
magoa – ele fez uma cara de triste, senti vontade de ceder, mas não!
- I’m sorry baby – fiz uma cara de decepcionada por não deixar, a gente
acabou rindo.
Eu sentei na cadeira do computador e ele no
banco, me virei para continuar a criar o meu post, ele colocou o violão no colo
e começou a cantar, era uma música desconhecida, acho que ele escreveu – e
estava falando de mim ainda –, sua voz era linda e tocava violão como se...
como se... ah! Nem sei, sua voz era tão linda que não existe com que comparar,
para falar a verdade, acho que comparei bem quando disse que ele parecia um
anjo.
- Agora é sua vez.
- Eu hã? O que tem eu?
Minha vez o que? – eu disse, espera aí ele não queria que...
- É você! Ou tem outra
pessoa aqui? Vem tocar violão, eu quero ouvir – ele tirou o violão do colo,
segurou pelo braço dele e ficou olhando para mim, esperando que me levantasse.
- Faz isso comigo não
Justin, please vai! Inclusive depois
de você ter cantado – olhei para ele implorando, mas não adiantou, me levantei
– ah! Já sei você quer me humilhar né!? – Ele riu.
- Vem Logo! – ele disse
ainda rindo.
Peguei o violão da mão dele, me sentei no
banco e ele foi para o computador, enquanto eu olhava as cordas e pensava no
que ia tocar, ele fuçava meu computador.
- De quem são esses olhos?
– ele se referia à foto que eu tinha acabado de editar.
- Meus – joguei minha
franja para trás e prendi.
Comecei a tocar e cantar uma musica minha
mesmo, “You Were Here” a mais recente e a que eu achava mais legal, percebi que
ele olhava para mim, percebi que ele olhou para mim todo o tempo que eu tocava.
Dei a nota final.
- É sua?
- Sim, é minha, gostou? –
levantei o rosto – Justin... Justin... – ele olhava para mim como se estivesse
hipnotizado – JUSTIN!
- Hã? Ah! Desculpa, agora
eu percebi que esses olhos aqui são seus, eles são lindos para variar, não
entendo porque você os esconde .
- Você ainda não entende
muita coisa – disse baixinho e olhando para o chão.
- Hã?
- Nada não.
- É, então ta – ele olhava
para mim, me encarava, olhava concentrado nos meus olhos
- Você já está me dando
medo ta? – Ele parou de me encarar e riu.
- Desculpa – ele disse
sorrindo – é que seus olhos são incrivelmente lindos, comuns – eles são castanhos
claros – mas lindos.
- Ta, ta, eu sei que são,
mas precisa de me encarar assim? – disse num to de brincadeira.
- Sim precisa! – a gente
riu, rimos muito, muito mesmo.
- Espera um pouco – eu
coloquei o violão no lugar e fui no banheiro tirar a minha blusa preta de manga
comprida, ia deixar só a de manga curta já que em casa estava um calor
infernal.
- “Prefiro ter poucos amigos, mas verdadeiros, do que ter vários, porém
falsos. Essa é uma das frases que tem me marcado muito. Eu tenho percebido que
tem pessoas que tem vários amigos e é super popular, mas que quando precisam de
ajuda, é só um o outro que estende a mão. Eu sou uma menina comum, tímida, sincera
e meiga, confesso que não sou popular. Afinal você já viu garota tímida ser
popular? Eu nunca vi. Mas confesso também que isso não faz diferença na minha
vida. Tenho poucos amigos, mas são o suficiente pra me fazer feliz, e sempre quando
preciso de ajuda, eles estão ao meu lado, pra me ajudar, e isso me faz muito
bem. Afinal sei que posso contar com eles a qualquer dia, a qualquer momento. E
pra mim, é isso que importa. Poucos amigos, porém verdadeiros e sinceros!”(texto da minha amiga Jessica Leopoldino) –
ele disse assim que sair do banheiro, era um texto meu, um post do meu blog –
Você que escreveu?
- Sim, surpreso?
- Você faz música, toca
violão, canta, escreve e faz tudo isso muito bem – corei – só falta – ele olhou
para um canto perto do armário – tem algo que por acaso você não faz?
- Hã? Não entendi – olhei
para o mesmo lugar que ele – ah sim! Eu faço isso também, um pouco mais faço.
- E tem algo que você não
faz? Porque que eu saiba garota perfeita não existe – ele me olhou.
- Hã dois? Boiei legal
agora – ele riu.
- Você faz de tudo o que eu
gosto e faz bem – corei de novo – até andar de skate que é uma das coisas que
eu amo fazer.
- Mas eu não ando – ele
olhou para mim confuso – eu me equilibro, só – ele riu de novo.
- Você só sabe subir em
cima então?
- É! Ninguém quis me
ensinar a andar, nem o Luka, então tive que aprender sozinha só acabei
esquecendo de tentar e bla, bla, bla – fiz o sinal como se minha mão estivesse
falando.
- Luka? Quem é Luka? – nos
seus olhos passavam alguns sentimentos ele estava surpreso, confuso, e... com
medo?
- Luka é meu melhor amigo na
escola, ele anda de skate, mas quando o pedi para me ensinar, ele disse que
isso não é coisa de garota. – todos aqueles sentimentos passaram, ele esta
aliviado depois que eu disse que o Luka era apenas meu amigo, eu em, que
estranho.
- Nossa que besteira, muita
idiotice isso, não, er... é que... – ele se embolou.
- Tranquilo, eu sei que é
não precisa se apavorar não.
- Ufa! – a gente riu – Bom
se quiser eu te ensino então.
- Espera, você também...?
- Você acha que a única
multifuncional aqui? – caímos na gargalhada, rimos e muito ainda.
Fui para o computador ainda rindo, carreguei
meu post no blog e coloquei algumas músicas para escutar, eu estava vermelha de
tanto rir e ele também, eu cheguei a chorar. A
minha playlist começou com “Good Girls Go bad”, do Cobra Starship feat. Leighton Meester, sem nem
perceber comecei a cantar a parte da Leighton, ele estava sentado na cama, e no
“Bad” final eu virei a cadeira – era aquela de girar – e cantei, ou melhor,
gritei na direção dele “baaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaad”, ele riu de leve, na real,
mais sorriu do que riu e voltou a me encarar.
- Eu já disse que isso me
dá medo.
- Ah! Desculpa, sério, mas
você canta muito bem.
- Olha quem ta falando –
voltei para frente da tela do computador.
- É sério, ninguém nunca
te disse isso?
- Só minha mãe, mas você
sabe como são as mães, não dá para confiar no que elas falam.
- É realmente, elas falam
tudo para nos agradar. Já que ninguém te disse isso eu te digo: – ele se
levantou, girou minha cadeira na direção da cama e voltou a se sentar nela –
você canta muito bem!
- Digo o mesmo para você e
valeu!
- Não canto tão bem assim
– ele me olhou nos olhos, de novo – não como você.
- Sem comparação, eu canto
muito melhor do que você claro! – aquilo estava me deixando tensa, o modo como
ele me olhava nos olhos me fazia tremer, não de medo, de uma coisa que eu não
sei dizer o que, tive que falar algo para quebrar aquilo.
- Ainda bem que você sabe
– voltamos a rir.
Fechei tudo no computador e o desliguei me
sentei na cama encostada na cabeceira, ele se virou e sentou ao meu lado,
ficamos ali conversando a tarde toda, era muito bom ficar com Justin, era
divertido e parecia que nos conhecíamos há muito tempo. Ele falou de como era a
vida dele na outra cidade em que vivia, me contou que seus pais eram separados
e esse foi um dos motivos deles terem saído de lá – ele não entrou em detalhes
e eu não forcei para que entrasse –, disse que ficou com medo de como seria
chegar aqui, como seria ser novato, eu contei como é a minha vida aqui – excluindo
as partes mais depre –, contei sobre o blog e o porque eu o criei, contei dos
vídeos youtube que eu posto, contei sobre a Hayley, a Karolyne e contei mais sobre o Luka, falamos de skate,
de música, de música e de mais música, conversamos muito graças a minha mãe – e
a dele – que demorou para chegar e para melhorar a situação, a demora foi tanta
que eles jantaram na minha casa, o dia foi perfeito o melhor dia da minha vida,
pelo menos era o que eu achava até lembrar da escola, e da Louise, era claro,
obvio que depois da escola amanhã, o dia de hoje não ia se repetir mais, nunca mais.
Assim que eles infelizmente foram embora, eu subi para o meu quarto, tomei um
banho demorado, coloquei meu pijama e me joguei na cama, não queria dormir,
estava com medo que o dia amanhecesse e que todo o meu medo de amanhã se
tornassem reais, não queria que ele deixasse de falar comigo, de olhar nos meus
olhos, fiquei com medo – não sei exatamente o porquê – de que tarde como essa
de hoje nunca mais se repita.
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