Pov's Houston
Eu tinha que
dar um destino a aliança, pensei em jogar fora, em dar para alguém, pensei até
em vender, mas nenhuma dessas ideias me agradou, então achei melhor e mais
justo, devolvê-la. Faltavam poucos minutos para as oito, Tay já tinha me ligado
dizendo que estava vindo, saí de casa e corri até a casa do Justin, deixei a
aliança na porta, não tive coragem de bater, então deixei ali mesmo, na
esperança que ele achasse.
Tay realmente chegou rápido, corri da casa do
Justin e entrei no carro.
- O que você
estava fazendo ali?
- E te
interessa Taylor? – Não queria ser, nem parecer ignorante, mas... – sem querer
ser ignorante, mas já sendo, pois não encontro outro jeito de dizer, estamos
saindo, ok, mas não te devo satisfações.
- É melhor
irmos – assenti.
Taylor dirigiu pelas ruas escuras de
Stratford, eu não sabia para onde ele estava me levando, afinal, ele seguiu por
um caminho que eu não conhecia e só parou quando chegou a um enorme
estabelecimento, com uns dois caras na porta, devidamente uniformizado e com
luzes brancas refletindo na parede alaranjada do lado de fora. Ele saiu do
carro e abriu a porta para mim, só aí fui perceber o que ele vestia, estava de
blusa social, uma calça jeans escura e um sapatênis, um tanto formal, mas
moderno.
Saí do carro e ele jogou a chave para um dos
carinhas de uniforme vermelho que estava na porta, depois entramos, era um
restaurante, muito chique e com um nome que eu não sabia ler. Ele foi até o maître
e segurava a minha mão.
- Sua
reserva? – O carinha de smoking preto, com gravatinha borboleta e um bigodinho
preto fino com um biquinho muito antipático, perguntou.
- Mesa para
dois em nome de Fox.
- Senhor
Taylor Fox? Sigam-me, por favor – ele foi nos guiando por meio das pessoas até
chegar em uma mesa bem localizada no enorme salão. – Esta é sua mesa, espero
que gostem do jantar – antes de se virar a imitação de francês me analisou de
cima a baixo, não tiro a razão dele, estava mal vestida para um lugar assim,
tão, alta sociedade.
- Gostariam
de fazer os pedidos? – um garçom chegou do nada e nos entregou os cardápios,
era uma grande pasta de couro preta que se abria ao meio, com duas listas de
comidas e bebidas, bom, eu acho, não estava entendendo nada o que estava
escrito. Olhei para Tay, confusa, ele riu de leve.
- Traga-me de
entrada o número 5, para o prato principal o número 7 e de sobremesa o número 3,
para nós dois – ele entregou o cardápio ao garçom que já havia anotado os
pedidos e eu fiz o mesmo.
- O que você
pediu? Era grego aquilo para mim – ele riu de novo.
- Faltou as
aulas de francês é?
- Eu tenho
uma noção de francês, afinal esse país fala francês, que droga, porque eu tinha
que nascer num país bilíngue? Mas isso é outra história – ele riu. – Tenho uma
noção de francês e aquilo não era francês.
- Garota
esperta! Realmente, era italiano.
- Engraçado,
por que o carinha de bigodinho fino e de mini cavanhaque quadrado está se
passando por francês?
- Também não
sei. Achei que você iria achar que era francês por isso.
- Mas eu
achei, deixei de achar depois que vi o cardápio – ele riu.
- Eu achei
quando meus pais me trouxeram aqui, depois daquele dia me obrigaram a aprender
italiano.
- Se ferrou.
Mas voltando a pergunta, o que você pediu?
- Prato de
entrada salada, principal espaguete e de sobremesa sorvete, basicamente.
- Tay, você
me trouxe aqui para comer alface, macarrão e sorvete? – ele olhou para cima
como se pensasse.
- É.
- Pô Tay, se
fosse para isso que comia em casa.
- Se você
quiser, eu mundo os pedidos...
- Não é isso
Tay, olha esse lugar, não é para mim, é tudo chique demais, nem vestida
adequadamente eu estou – all star, calça jeans e uma blusa de frio verde escura
sem estampa com uma pequena gola em V, não é uma roupa adequada. – Você pode
estar acostumado com esse mundo – Taylor era consideravelmente rico, eu tinha
uma boa condição de vida, mas ele tinha muito dinheiro, era do tipo que se
encaixava no naipe da Louise, seu pai era advogado e trabalhava na mesma
empresa do meu pai, sua mãe era médica onde minha mãe foi voluntaria à um tempo
atrás, o que explica o fato da nossas famílias se conhecerem –, mas eu não,
então por favor, salva essa noite e vamos embora daqui – ele ficou calado
durante um tempo, me encarando.
- Garçom! – o
mesmo veio até nós. – Cancele os nossos pedidos – sorri aliviada. O garçom
concordou e saiu. – Vem – ele sorriu, se levantou e me estendeu a mão, me
levantei e segurei sua mão, ele foi me guiando pelo salão. – Au revoir – disse ao passar pelo carinha
canadense francês, ri. Quando chegamos ao lado de fora, o carro já estava na
porta, coisa de filme, um simples acaso.
Entramos no carro, ele deu a partida e logo
estávamos em uma lanchonete.
- Esse
cardápio eu entendo. Gostaria de hambúrguer com bacon e um refrigerante de uva.
- Eu quero um
X-Tudo e uma coca-cola, por favor – a garçonete anotou os pedidos, pegou o
cardápio e se mandou.
- Não é
melhor do que comer macarrão?
- Espaguete.
- Whatever.
- É, bem
melhor.
- Viu, eu
disse – rimos.
- Desculpa,
eu queria fazer uma noite perfeita.
- Alguém já
te disse que você se desculpa demais? Tay, tudo bem, o importante é que a gente
agora vai comer hambúrguer ao invés de salada.
- Tudo bem
então e não.
- Não?
- Não,
ninguém me disse que eu peço desculpas demais, você é a primeira, talvez porque
seja a única pessoa que eu me desculpo tanto.
- Por que se
desculpa tanto comigo? – eu iria me arrepender de perguntar.
- Porque você
é a única pessoa que eu realmente me preocupo em não magoar – ele me olhava nos
olhos, sério. Eu disse que iria me arrepender de perguntar.
- Seus
pedidos – obrigada garçonete, eu te amo.
- Obrigada.
- Obrigado –
ela saiu e eu logo comecei a comer. – Você não vai responder essa né? – neguei.
– Imaginava – ele mordeu um enorme pedaço do hambúrguer também enorme.
Não retornamos ao assunto, por sorte. Ficamos
conversando e contando micos de quando éramos crianças, tínhamos várias e várias
historias, antes da minha vida virar um inferno, ele era meu melhor amigo fora
da escola, mas depois, só voltamos a conversar mesmo agora, desde que fomos
para nossa atual escola andávamos separados, meu pai trabalha que nem condenado
e não temos uma reunião de família e amigos há anos lá em casa o que faz com
que nós separemos mais, ah! Sem esquecer, ele é ex da Louise, isso acabou com
qualquer coisa que tínhamos, nem conversar, conversávamos, pois é.
As horas passaram rápido, mais rápido do que
imaginava, comemos, pagamos, conversamos e casa. Chegamos até rápido.
- Você ficou
toda fofa naquele vestido todo rosa cheio de plumas – ele ria, coloquei a mão
no rosto de vergonha.
- Eu tinha
cinco anos! – na verdade, riamos. – E você mosqueteiro de calça rasgada?
- Você lembra
disso?
- Ué você
lembra do vestido de plumas.
- Empatamos
então?
- É pode ser
– ficamos sem falar até conseguirmos para de rir. – É melhor eu entrar.
- Certo – me
virei para abrir a porta. – Lua, espera – o olhei confusa –, tenho uma razão
para querer que essa noite fosse especial.
- E não foi?
- Não, não!
Foi sim, mas especial daquele jeito lá, do inicio da noite – ah claro, o
restaurante. Não pergunta Lua!
- E qual
seria essa razão? – maldita boca, poderia ter ficado fechada agora.
- Eu poderia
dizer, iria dizer, mas depois que eu vi você correndo do outro lado da rua,
resolvi não falar – era só o que me faltava.
- Só isso? –
ele assentiu. – Então eu vou entrar ursinho – abri a porta.
- Para! A
minha mãe me deu aquela cueca e eu era criança.
- Você tinha
9 anos, poderia ter usado uma cueca mais “madura” talvez carrinhos, mas
ursinhos cor de rosa? – saí do carro.
- Eu ia
adivinhar que a calça iria rasgar? – ri e fechei a porta, antes de me virar
para entrar, agachei para vê-lo através da janela.
- Ah! Caso ainda
queira saber, eu fui devolver a aliança do Justin – me levantei e ele ficou
mudo, depois deu partida no carro, fiquei vendo até ele virar bruscamente a
esquina. Ri da situação, definitivamente ele é um cara legal, merecia uma
chance.
Me virei para entrar em casa, senti olhos
sobre mim, ignorei.
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Vai ter capitulo no domingo! Só digo isso.
Bezus e até lá.
Mais!
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