sexta-feira, 21 de setembro de 2012

13° Capitulo - It’s too late to apologize. Part. 3


Pov's Houston

Eu tinha que dar um destino a aliança, pensei em jogar fora, em dar para alguém, pensei até em vender, mas nenhuma dessas ideias me agradou, então achei melhor e mais justo, devolvê-la. Faltavam poucos minutos para as oito, Tay já tinha me ligado dizendo que estava vindo, saí de casa e corri até a casa do Justin, deixei a aliança na porta, não tive coragem de bater, então deixei ali mesmo, na esperança que ele achasse.
 Tay realmente chegou rápido, corri da casa do Justin e entrei no carro.
- O que você estava fazendo ali?
- E te interessa Taylor? – Não queria ser, nem parecer ignorante, mas... – sem querer ser ignorante, mas já sendo, pois não encontro outro jeito de dizer, estamos saindo, ok, mas não te devo satisfações.
- É melhor irmos – assenti.
  Taylor dirigiu pelas ruas escuras de Stratford, eu não sabia para onde ele estava me levando, afinal, ele seguiu por um caminho que eu não conhecia e só parou quando chegou a um enorme estabelecimento, com uns dois caras na porta, devidamente uniformizado e com luzes brancas refletindo na parede alaranjada do lado de fora. Ele saiu do carro e abriu a porta para mim, só aí fui perceber o que ele vestia, estava de blusa social, uma calça jeans escura e um sapatênis, um tanto formal, mas moderno.
 Saí do carro e ele jogou a chave para um dos carinhas de uniforme vermelho que estava na porta, depois entramos, era um restaurante, muito chique e com um nome que eu não sabia ler. Ele foi até o maître e segurava a minha mão.
- Sua reserva? – O carinha de smoking preto, com gravatinha borboleta e um bigodinho preto fino com um biquinho muito antipático, perguntou.
- Mesa para dois em nome de Fox.
- Senhor Taylor Fox? Sigam-me, por favor – ele foi nos guiando por meio das pessoas até chegar em uma mesa bem localizada no enorme salão. – Esta é sua mesa, espero que gostem do jantar – antes de se virar a imitação de francês me analisou de cima a baixo, não tiro a razão dele, estava mal vestida para um lugar assim, tão, alta sociedade.
- Gostariam de fazer os pedidos? – um garçom chegou do nada e nos entregou os cardápios, era uma grande pasta de couro preta que se abria ao meio, com duas listas de comidas e bebidas, bom, eu acho, não estava entendendo nada o que estava escrito. Olhei para Tay, confusa, ele riu de leve.
- Traga-me de entrada o número 5, para o prato principal o número 7 e de sobremesa o número 3, para nós dois – ele entregou o cardápio ao garçom que já havia anotado os pedidos e eu fiz o mesmo.
- O que você pediu? Era grego aquilo para mim – ele riu de novo.
- Faltou as aulas de francês é?
- Eu tenho uma noção de francês, afinal esse país fala francês, que droga, porque eu tinha que nascer num país bilíngue? Mas isso é outra história – ele riu. – Tenho uma noção de francês e aquilo não era francês.
- Garota esperta! Realmente, era italiano.
- Engraçado, por que o carinha de bigodinho fino e de mini cavanhaque quadrado está se passando por francês?
- Também não sei. Achei que você iria achar que era francês por isso.
- Mas eu achei, deixei de achar depois que vi o cardápio – ele riu.
- Eu achei quando meus pais me trouxeram aqui, depois daquele dia me obrigaram a aprender italiano.
- Se ferrou. Mas voltando a pergunta, o que você pediu?
- Prato de entrada salada, principal espaguete e de sobremesa sorvete, basicamente.
- Tay, você me trouxe aqui para comer alface, macarrão e sorvete? – ele olhou para cima como se pensasse.
- É.
- Pô Tay, se fosse para isso que comia em casa.
- Se você quiser, eu mundo os pedidos...
- Não é isso Tay, olha esse lugar, não é para mim, é tudo chique demais, nem vestida adequadamente eu estou – all star, calça jeans e uma blusa de frio verde escura sem estampa com uma pequena gola em V, não é uma roupa adequada. – Você pode estar acostumado com esse mundo – Taylor era consideravelmente rico, eu tinha uma boa condição de vida, mas ele tinha muito dinheiro, era do tipo que se encaixava no naipe da Louise, seu pai era advogado e trabalhava na mesma empresa do meu pai, sua mãe era médica onde minha mãe foi voluntaria à um tempo atrás, o que explica o fato da nossas famílias se conhecerem –, mas eu não, então por favor, salva essa noite e vamos embora daqui – ele ficou calado durante um tempo, me encarando.
- Garçom! – o mesmo veio até nós. – Cancele os nossos pedidos – sorri aliviada. O garçom concordou e saiu. – Vem – ele sorriu, se levantou e me estendeu a mão, me levantei e segurei sua mão, ele foi me guiando pelo salão. – Au revoir – disse ao passar pelo carinha canadense francês, ri. Quando chegamos ao lado de fora, o carro já estava na porta, coisa de filme, um simples acaso. 
 Entramos no carro, ele deu a partida e logo estávamos em uma lanchonete.
- Esse cardápio eu entendo. Gostaria de hambúrguer com bacon e um refrigerante de uva.
- Eu quero um X-Tudo e uma coca-cola, por favor – a garçonete anotou os pedidos, pegou o cardápio e se mandou.
- Não é melhor do que comer macarrão?
- Espaguete.
- Whatever.
- É, bem melhor.
- Viu, eu disse – rimos.
- Desculpa, eu queria fazer uma noite perfeita.
- Alguém já te disse que você se desculpa demais? Tay, tudo bem, o importante é que a gente agora vai comer hambúrguer ao invés de salada.
- Tudo bem então e não.
- Não?
- Não, ninguém me disse que eu peço desculpas demais, você é a primeira, talvez porque seja a única pessoa que eu me desculpo tanto.
- Por que se desculpa tanto comigo? – eu iria me arrepender de perguntar.
- Porque você é a única pessoa que eu realmente me preocupo em não magoar – ele me olhava nos olhos, sério. Eu disse que iria me arrepender de perguntar.  
- Seus pedidos – obrigada garçonete, eu te amo.
- Obrigada.
- Obrigado – ela saiu e eu logo comecei a comer. – Você não vai responder essa né? – neguei. – Imaginava – ele mordeu um enorme pedaço do hambúrguer também enorme.
 Não retornamos ao assunto, por sorte. Ficamos conversando e contando micos de quando éramos crianças, tínhamos várias e várias historias, antes da minha vida virar um inferno, ele era meu melhor amigo fora da escola, mas depois, só voltamos a conversar mesmo agora, desde que fomos para nossa atual escola andávamos separados, meu pai trabalha que nem condenado e não temos uma reunião de família e amigos há anos lá em casa o que faz com que nós separemos mais, ah! Sem esquecer, ele é ex da Louise, isso acabou com qualquer coisa que tínhamos, nem conversar, conversávamos, pois é.
 As horas passaram rápido, mais rápido do que imaginava, comemos, pagamos, conversamos e casa. Chegamos até rápido.
- Você ficou toda fofa naquele vestido todo rosa cheio de plumas – ele ria, coloquei a mão no rosto de vergonha.
- Eu tinha cinco anos! – na verdade, riamos. – E você mosqueteiro de calça rasgada?
- Você lembra disso?
- Ué você lembra do vestido de plumas.
- Empatamos então?
- É pode ser – ficamos sem falar até conseguirmos para de rir. – É melhor eu entrar.
- Certo – me virei para abrir a porta. – Lua, espera – o olhei confusa –, tenho uma razão para querer que essa noite fosse especial.
- E não foi?
- Não, não! Foi sim, mas especial daquele jeito lá, do inicio da noite – ah claro, o restaurante. Não pergunta Lua!
- E qual seria essa razão? – maldita boca, poderia ter ficado fechada agora.
- Eu poderia dizer, iria dizer, mas depois que eu vi você correndo do outro lado da rua, resolvi não falar – era só o que me faltava.
- Só isso? – ele assentiu. – Então eu vou entrar ursinho – abri a porta.
- Para! A minha mãe me deu aquela cueca e eu era criança.
- Você tinha 9 anos, poderia ter usado uma cueca mais “madura” talvez carrinhos, mas ursinhos cor de rosa? – saí do carro.
- Eu ia adivinhar que a calça iria rasgar? – ri e fechei a porta, antes de me virar para entrar, agachei para vê-lo através da janela.
- Ah! Caso ainda queira saber, eu fui devolver a aliança do Justin – me levantei e ele ficou mudo, depois deu partida no carro, fiquei vendo até ele virar bruscamente a esquina. Ri da situação, definitivamente ele é um cara legal, merecia uma chance.
 Me virei para entrar em casa, senti olhos sobre mim, ignorei.
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Vai ter capitulo no domingo! Só digo isso.
Bezus e até lá.

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